Universidade investe em fonte de energia limpa

Módulos de energia fotovoltaica devem gerar 2,9 MWh por ano e também serão instalados em eletroposto na Cidade Universitária

Nos últimos anos, a UFMS tem adotado práticas que reforçam a importância de políticas, processos e programas relacionados ao desenvolvimento sustentável. Entre as várias ações, destaca-se a instalação de usinas de geração de energia fotovoltaica na Cidade Universitária. “Estamos no caminho para fazer da UFMS uma instituição modelo em sustentabilidade”, enfatiza o pró-reitor de Administração e Infraestrutura Augusto Malheiros.

De acordo com o pró-reitor, as usinas fotovoltaicas adquiridas estão sendo instaladas nos setores 1, 2, 3 e 4 da Cidade Universitária. “O total de placas contratadas é de 5.776, com investimento de aproximadamente R$ 8,38 milhões”, explica.

“Foram adquiridos módulos capazes de gerar em média 2.939,7 MWh por ano, o que seria equivalente a não emissão de aproximadamente 545 toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano. Além da questão ambiental o sistema ainda proporcionará uma redução no consumo de, aproximadamente, 245mil KWh/mês na conta de energia elétrica, o que corresponde a cerca de 32% do consumo total previsto. Este recurso economizado poderá ser investido em outras necessidades da universidade”, diz Augusto.

De acordo com o diretor de Planejamento e Gestão de Infraestrutura Sandro Dornelles, as placas estão sendo instaladas na forma sobre construção predial. “Os pontos de instalação são definidos com base no estudo da empresa contratada, que definiu, em conjunto com a equipe técnica da UFMS, os melhores pontos com melhor viabilidade e eficiência de instalação”, esclarece. Segundo o diretor, falta instalar 1.716 placas. “Do total empenhado, 63% já estão instaladas e testadas aguardando aprovação da Energisa para entrar em operação”, complementa.

São 66 módulos de geração que incluem placas e conversores que transforma a luz do sol em energia elétrica. “A energia é direcionada para a rede que abastece a Cidade Universitária. Com a pandemia houve um pequeno atraso na instalação, mas acreditamos que no início de 2022 as usinas já estejam em operação”, comenta o pró-reitor. “Além da redução com os gastos de energia, as placas contribuem com o consumo de energia limpa e sustentável”, acrescenta.

Eficiência energética

Paralelamente à instalação das usinas fotovoltaicas, a UFMS, por meio de uma parceria com a Energisa, está promovendo a melhoria da iluminação externa. “Sabemos que é preciso usar a energia elétrica de forma mais eficiente. A parceria com a Energisa, por meio do Programa de Eficiência Energética possibilitou, em um primeiro edital, a troca de 299 luminárias dos postes instalados nas ruas e avenidas da Cidade Universitária”, explica Augusto.

O programa reúne todas as iniciativas da Energisa nessa área. Em prédios públicos, os projetos visam eliminar o desperdício de energia e favorecer a sociedade por meio de ações que reduzam custos com energia elétrica e melhorem a qualidade de vida da população. Com esse objetivo, a Energisa promove a troca de equipamentos antigos por novos que tenham consumo menor de energia, a modernização de pontos de iluminação, entre outras atividades.

As novas luminárias de LED têm maior capacidade que as convencionais e, além da economia garantem a melhoria da iluminação e contribuem para maior sensação de segurança à comunidade acadêmica no período noturno.

“Neste novo edital, serão trocadas 243 luminárias instaladas nos setores 2,3 e 4”, diz o diretor da Dinfra. Os dois editais representam uma economia de aproximadamente R$ 660 mil, já que todo o custo de compra e instalação são de responsabilidade da Energisa. “Nossa equipe técnica acompanha todo o processo de substituição, auxiliando no que for necessário”, explica Sandro.

Segundo o pró-reitor Augusto Malheiros, a Universidade já estuda a possibilidade de, em breve, estender as ações para os câmpus. “Também estamos promovendo a substituição das lâmpadas fluorescentes por lâmpadas de LED. No Corredor Central, por exemplo, foram trocadas 395 luminárias”, acrescenta. “Na maior parte das ações, também contamos com a colaboração dos nossos pesquisadores. Temos os melhores em cada área do conhecimento e essa parceria tem beneficiado muito as decisões e implantação de ações administrativas. Por exemplo, futuramente também teremos o eletroposto, fruto de um projeto de pesquisa no qual será possível abastecer carros e bicicletas elétricas com energia fotovoltaica”, comenta Augusto.

Eletroposto

Além da possibilidade de utilização da energia fotovoltaica, o eletroposto da UFMS também possibilitará o abastecimento sem fio. “É um projeto que tem duas vertentes muito bem definidas. Uma é utilizar tecnologias comerciais de carregamento emergentes no cenário nacional, que estamos comprando e instalando para a comunidade utilizar, e a parte de desenvolvimento de produtos, por exemplo, como carregamento sem fio, que tem uma abrangência internacional”, explica um dos integrantes do grupo de pesquisadores da UFMS envolvidos no projeto Edson Antonio Batista.

O projeto é coordenado pelo professor Ruben Barros Godoy e conta ainda com a participação de professores, técnicos, profissionais e estudantes de graduação e pós-graduação: Guilherme Anderson de Bragança Fernandes, Artur Alves de Carvalho, Matheus Arakaki de Souza, Sandro Petry Laureano Leme, Moacyr Aureliano Gomes de Brito, Anderson da Silva Volpato, Fernanda Moarais Balta, José Luiz Moreira Júnior, Luis Felipe da Silva Carlos Pereira, Nicholas Delben de Andrade e Lucas Gutierrez da Silva. Segundo o grupo, a proposta conta com o financiamento da Global Participações em Energia S/A e suas cooperadas – Companhia Energética Potiguar, Baesa, Sefac, Itiquira Energética, Grupo Equatorial, Alcoa, Companhia Geração de Energia Pilão, Companhia Energética Manauara – e é executada pela UFMS em parceria com a Lactec, Nexsolar e Nastek.

De acordo com os pesquisadores, a proposta abrangerá a modelagem, projeto e implementação dos diversos estágios de potência objetivando operação estável, elevada robustez, elevado rendimento, baixo tempo de carregamento e baixo custo. “A operação de cada estágio de potência, bem como do sistema como um todo, será devidamente avaliada através de resultados experimentais para a transmissão sem fio de até 5 kW. É ainda proposto que o carregador permita fluxo de potência bidirecional, ou seja, a carga das baterias poderá ser utilizada para alívio da rede elétrica em momentos de pico de demanda, para ajuste de contratos a fim de reduzir os valores faturados de energia elétrica, ou para atender cargas locais”, dizem.

Segundo o grupo, outra vantagem do eletroposto da UFMS é a flexibilidade do sistema que é composto de uma microrrede: acumulador secundário, acumulador do próprio veículo elétrico (não descartando a adição de bicicletas elétricas), do gerador solar fotovoltaico e da própria rede de distribuição de energia elétrica. “Desenvolvemos também a segurança cibernética para todo o sistema de gestão do eletroposto, de carga, recarga, principalmente, quando for inserir os créditos e outra ferramenta que estamos utilizando e que é top de linha, agregamos o hardware-in-the-loop que é uma simulação em tempo real do sistema”, finaliza Edson.

 

Texto: Vanessa Amin

Fotos e imagens: Acervo da Proadi, dos pesquisadores e Vanessa Amin