Pesquisador busca facilitar e agilizar aplicação de modelos de maturidade em organizações

Ferramenta ampla de gestão criada na década de 70 na literatura de sistemas de informação, os modelo de maturidade tornaram-se importantes no gerenciamento das empresas, disseminando-se em diversas áreas e setores.

Com base no interesse por essas ferramentas e na ainda incipiente validação dos modelos, o professor do curso de Engenharia de Produção da UFMS João Batista Sarmento estuda e pesquisa, em Doutorado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), meios para facilitar e agilizar a aplicação dos modelos de maturidade nas empresas.

“Estudos mostram que muitos são os modelos desenvolvidos e poucos são validados, acredita-se que uma das causas que potencializam a falta por validações está na escassez de estudos que demonstrem detalhadamente como operacionalizar e classificar o nível de maturidade a partir dos modelos. Dessa forma, o projeto tem o objetivo de investigar o uso dos modelos de maturidade que são abordados pela literatura, características comuns dos modelos, identificar as causas que podem dificultar sua aplicação e áreas potenciais para utilização de modelos de maturidade”, explica.

Esse controle da maturidade é importante para ajudar a evitar até mesmo o fracasso das empresas. “Muitas empresas fecham as portas porque não têm qualquer controle. Mesmo as que parecem estar indo bem, de um dia para o outro podem sofrer com as variações, assim, as empresas precisam saber realmente como estão”, completa o professor.

Além disso, a competitividade em que vivem as empresas as faz buscar maneiras que apoiem as tomadas de decisões. “Por isso, os modelos de maturidade tornaram-se uma importante ferramenta de gerenciamento, pois demonstram como uma determinada abordagem está evoluindo e isso permite que as organizações aprimorem o planejamento de ações que devem levar aos resultados que desejam alcançar”, explica o professor.

Para poder entender como funcionam os modelos, o professor está realizando pesquisas nas mais variadas áreas. “Eu não desenvolvo um modelo de maturidade específico. Estou tentando identificar e padronizar uma forma mais ágil de aplicar o modelo de maturidade, pois verifiquei que muitos pesquisadores estão estudando sobre esse modelo, só que muitas pesquisas buscam criar novos modelos, mas poucas validam os já existentes. É importante deixar isso mais prático para as organizações, porque se não for muito claro ou se tornar trabalhoso, a organização não irá parar a rotina para colocá-lo em prática”, diz João Batista.

Por isso, o professor pretende identificar um método alinhado a um conjunto de procedimentos e cálculos, com o desenvolvimento de um novo framework que auxilie na definição dos níveis de maturidade.

“Quando se analisa uma estrutura de uma organização, trabalhamos com métricas qualitativas e quantitativas. Essas são fáceis de serem trabalhadas, mas as qualitativas são subjetivas, a avaliação varia de acordo com o ponto de vista dos decisores, então a ideia é criar procedimento que aproxime os resultados dessas métricas da realidade”, expõe o professor.

Em um exemplo, se dez pessoas estivessem avaliando determinado processo chave da gestão do conhecimento em uma organização, em uma escala de um a cinco, o que deveria ser feito para melhor processar essas dez notas em um score final é o desafio encarado pelo pesquisador.

Desenvolvido nos anos 80, o Software – Capability Maturity Model é o modelo mais famoso – até então direcionado para engenharia de software. Desde então, surgiram dezenas de outros modelos voltados à gestão de projetos, gestão da cadeia de suprimentos, área médica, terceirização de serviços, pesquisa e desenvolvimento, entre outros, aplicados na organização conforme as necessidades.

Os modelos de maturidade apresentam três abordagens: descritiva, que identifica como a organização está, em que degrau a organização se encontra; prescritiva, que procura construir a estrutura buscando fazer com que aquela ferramenta de gestão ajude a diagnosticar a organização e identificar os pontos de melhoria, ou seja, traz um diagnóstico e a comparativa, utilizada para benchmarking – para comparar as organizações.