Professores e estudantes do curso de Educação Física e do Programa de Pós-graduação em Ciências do Movimento oferecem aos servidores da UFMS de Campo Grande a possibilidade de realizar avaliação da composição corporal, aptidão e atividade física por meio do projeto de extensão BIA Brasil UFMS.
“O projeto faz parte de um estudo multicêntrico brasileiro que busca estabelecer padrões normativos de composição corporal — avaliada por bioimpedância elétrica — da população, já que o país não possui esses dados. Aproveitamos a oportunidade para criar uma iniciativa com relevância social para a Universidade, disponibilizando aos servidores exames importantes para a saúde”, explica a coordenadora da ação, professora Christianne Ravagnani.
Segundo ela, o projeto oferece avaliações completas e gratuitas — que têm alto custo no mercado —, acesso a informações relevantes sobre indicadores de saúde e entrega dos resultados para posterior acompanhamento com profissionais especializados.
Entre os procedimentos realizados estão testes de desempenho físico (ergométrico com eletrocardiograma, flexibilidade e potência muscular), avaliação do consumo alimentar, nível de atividade física e composição corporal. Também são aferidos glicemia, triglicerídeos, pressão arterial, além de aspectos cognitivos e condições de trabalho. Para a realização das atividades, o projeto também conta com a participação do técnico Arilson Barbosa.
“Os padrões e hábitos de vida mudaram ao longo dos anos, muito em função dos avanços tecnológicos. Se, por um lado, nos beneficiamos da tecnologia, por outro pagamos um preço: permanecemos longos períodos em comportamento sedentário, consumimos alimentos rápidos, geralmente processados e ricos em sódio, gorduras e açúcar, e estamos constantemente conectados ao trabalho”, destaca a professora.
Ela ressalta que esses hábitos podem levar à obesidade, disfunções metabólicas e transtornos psicológicos. “Esse conjunto repercute em danos à saúde e pode resultar em faltas no trabalho, menor produtividade e redução da qualidade de vida. O projeto busca avaliar indicadores de saúde e fornecer resultados que auxiliem os servidores a buscar acompanhamento especializado”, afirma.
“Entre os exames de maior custo, oferecemos a bioimpedância, realizada com equipamento de última geração, que avalia composição corporal, massa muscular e hidratação celular. Também realizamos testes físicos com eletrocardiograma, fundamentais para avaliar a saúde cardiovascular e estimar o consumo máximo de oxigênio. Complementamos com dosagem de triglicerídeos e glicemia, além de outras avaliações físicas, nutricionais e relacionadas à prática de atividade física”, detalha.
A coordenadora destaca que a realização desses exames é essencial, pois mesmo testes simples podem revelar informações importantes em saúde. “Frequentemente identificamos casos de hipertensão ou pré-diabetes ainda não diagnosticados, além de outras condições cardiovasculares desconhecidas pelos servidores. Com base nos resultados, orientamos os participantes a buscar acompanhamento adequado”, relata.
Após a realização das avaliações, os servidores recebem um relatório detalhado, com comparação dos resultados aos padrões de referência. O documento apresenta informações sobre pressão arterial, classificando-a em categorias como normotensão ou hipertensão, além de dados de glicemia que indicam se o participante é normoglicêmico, pré-diabético ou diabético. Também são incluídos testes de aptidão física, que avaliam níveis de força de acordo com idade e sexo, e o monitoramento da atividade física diária.
A análise da alimentação também integra o processo, permitindo avaliar se o padrão alimentar é adequado. “Em resumo, os exames abrangem diferentes dimensões da saúde”, afirma a professora.
A servidora da Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento Institucional, Edina Costa Nunes, soube da ação por uma colega. “Uma colega que participou me recomendou, pois comentei com ela que em breve teria que fazer uma bioimpedância. A experiência foi incrível. Toda equipe foi muito cautelosa, fazendo todos os trâmites com o máximo de cuidado, capricho e dedicação. Percebi coisas que há muito tempo nem me dava conta de que eram importantes e, devido a correria diária deixamos de exercitar, a memória por exemplo”.
“Participar dessa experiência, fez com que eu tomasse conhecimento do quão importante para o nosso futuro é cuidar da nossa saúde, hoje. Por conta do estresse diário, acabamos adiando a prática de exercícios físicos, os cuidados com peso e nossa saúde mental. Após uma semana sendo monitorada pela equipe, obtive meu resultado. Nele foi notório que ainda tenho muitas coisas a serem melhoradas na minha saúde. A mestranda Alini me explicou cada parte do resultado que obtive e inclusive enviou para o meu Whatsapp para que eu encaminhe para meu nutricionista, endocrinologista e cardiologista”, avalia. “Parabenizo toda equipe do BIA BRASIL. Senti orgulho por fazer parte do time UFMS. Com projetos como esse podemos ver que estamos sendo cuidados e que nossa Universidade está cada vez mais devolvendo resultados de suas pesquisas, cumprindo assim o seu papel desempenhando sua missão, visão e valores”.
Já a servidora da Pró-Reitoria de Cidadania e Sustentabilidade Gislaine Aparecida decidiu participar a partir da leitura de uma matéria sobre as inscrições abertas para participação no projeto. “Realizei a minha inscrição e tempos depois o projeto entrou em contato comigo e procedeu as orientações para realizar os exames. A experiência me surpreendeu positivamente. Eu já havia realizado exames de bioimpedância anteriormente, mas não se compara ao atendimento e ao cuidado da equipe de pesquisadores no pré-preparatório e à alta qualidade técnica dos equipamentos utilizados. Fiquei feliz de conhecer o Laboratório do Curso de Educação Física e poder contribuir com a pesquisa, além disso, a experiência ultrapassa a questão de exames clínicos e, de certa maneira, desperta a reflexão para sua qualidade de vida”, comenta.
“No dia do exame, é preciso preencher um formulário anônimo com perguntas que te provocam reflexões voltadas ao autocuidado. É nesse momento que você sente o primeiro impacto, pensar sobre como está a sua qualidade de vida e cuidado com a saúde. Na entrega dos resultados dos exames você tem suas dúvidas esclarecidas e recebe orientações sobre como minimizar o comportamento sedentário, além de sugestões de cuidado com a saúde. Senti enorme orgulho de participar da pesquisa, porque materializei, de uma forma diferente, os serviços que a Universidade oferta com qualidade, tanto no ensino, na pesquisa, quanto na extensão na área da saúde. Foi uma experiencia enriquecedora”, confessa.
Experiência e aprendizado
“Tem sido uma experiência muito significativa, pois permite vivenciar na prática a integração entre ensino, pesquisa e extensão. O projeto mostra como o conhecimento científico pode ser aplicado para compreender a realidade dos servidores e gerar benefícios concretos. Acompanhar todas as etapas, da organização à análise dos resultados, amplia o aprendizado e evidencia o impacto real da ciência na vida das pessoas”, destaca a pesquisadora – Programa de Pós-graduação em Ciências do Movimento Beatriz de Oliveira Oshiro. Segundo ela, a participação no projeto fortalece a qualificação profissional ao unir conhecimento técnico e experiência prática, especialmente em avaliação física, composição corporal e análise de indicadores de saúde. “Também desenvolve habilidades essenciais, como trabalho em equipe, organização, ética e sensibilidade no contato com as pessoas, contribuindo para uma atuação mais crítica e humanizada”, diz
Beatriz afirma que as expectativas são positivas, pois a ação pode trazer benefícios concretos à saúde dos servidores, incentivando o autocuidado, a prevenção e a identificação precoce de fatores de risco. “A partir dos dados coletados, a Universidade pode planejar ações mais eficazes, baseadas em evidências, como programas de prevenção e promoção da saúde, fortalecendo o bem-estar da comunidade”, fala. Ainda, segundo ela, “as avaliações têm revelado informações importantes sobre a saúde dos participantes, muitas vezes não percebidas no dia a dia, reforçando a relevância da iniciativa. Também chama atenção o interesse dos servidores em participar e conhecer melhor sua condição de saúde, evidenciando a demanda por ações acessíveis de cuidado e o potencial de impacto positivo do projeto”.
Sobre sua experiência no projeto de extensão, a estudante do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento, destacou experiência como enriquecedora, de caráter multicêntrico, contribuindo para desenvolvimento do raciocínio clínico. “É uma experiência extremamente enriquecedora. No BIA BRASIL UFMS, adquiro um conhecimento prático que as graduações anteriores não proporcionaram. “A metodologia do mestrado desenvolve um raciocínio clínico baseado em evidências científicas, o que torna as condutas nutricionais mais assertivas no atendimento aos pacientes. O caráter multicêntrico permite construir um banco de dados com parâmetros de bioimpedância elétrica da população brasileira, contribuindo para diretrizes clínicas mais específicas. Além disso, os resultados sobre saúde metabólica, nível de atividade física e consumo alimentar podem embasar políticas institucionais voltadas à promoção da saúde dos servidores”, fala
“No aspecto nutricional, chama atenção o baixo consumo de água e a alta participação de alimentos ultraprocessados na dieta. Associados à inatividade física, esses fatores representam risco para obesidade e doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão”, conclui.
Saiba mais
Para a realização dos exames, algumas recomendações devem ser seguidas: no teste de bioimpedância, o participante deve usar roupas leves e que deixam a região da coxa livre; para o cicloergômetro, é necessário estar com vestimenta confortável e tênis; todos os objetos metálicos (anéis, pulseiras, piercings, entre outros) devem ser removidos; recomenda-se esvaziar a bexiga e evacuar antes do exame; não se alimentar nem ingerir líquidos nas quatro horas anteriores; evitar atividade física vigorosa e consumo de álcool ou bebidas cafeinadas por pelo menos 24 horas.
“Ao final da avaliação, será emprestado um pedômetro, que deve ser utilizado na cintura durante sete dias consecutivos, para monitoramento da atividade física diária”, acrescenta Christianne.
As avaliações ocorrem no período da manhã, aos sábados e às segundas-feiras, nas instalações do curso de Educação Física, no bloco 8 (subsolo), especialmente nos laboratórios 4 e 5 de medidas e avaliações. Informações Pós-graduação em Ciências do Movimento e agendamentos podem ser obtidos pelo WhatsApp do projeto: (67) 99325-4469. As pesquisadoras Beatriz Oshiro, Joanna D’Arc de Oliveira, Alini de Oliveira e Amanda Wolf são as responsáveis pela condução das avaliações, agendamentos e envio de uma carta de apresentação com todos os detalhes do BIA Brasil UFMS.
Texto: Vanessa Amin
Fotos: Acervo BIA Brasil UFMS
