Grupo PET de Três Lagoas incentiva participação feminina em cursos de Ciências Exatas

A ideia surgiu em abril deste ano, quando o grupo decidiu fazer um mural para lembrar o dia da mulher. Em contato com diversas pesquisas, os acadêmicos identificaram que, em São Paulo, nove em cada dez meninas, entre seis e oito anos, associam a engenharia com as afinidades e destrezas masculinas. Foi então que os petianos decidiram desenvolver atividades que abordassem questões sobre educação de qualidade e identidade de gênero nas escolas.

O trabalho planejado pelo grupo PET Conexões de Saberes, do curso de Matemática, no Campus de Três Lagoas, já alcançou mais de 600 alunos do município e dos vizinhos Brasilândia/MS e Andradina/SP. A atividade leva às escolas palestras e exposições, e permite dialogar com meninas e meninos de 10 a 15 anos sobre a participação feminina e a contribuição de mulheres na matemática.

A iniciativa intitulada “A matemática é questão de menina sim!” foi montada depois de um trabalho de pesquisa em livros de História da Matemática e com base em referências atuais que apresentam a questão de gênero nessa área de conhecimento, na educação superior e nas ciências em geral. Dentre os resultados observados pelo grupo PET, destaca-se o interesse das meninas em participar das discussões e se identificarem com os exemplos expostos.

A acadêmica Jéssica de Souza, do sexto semestre do curso de Matemática, ressalta que se envolver com a atividade desde o início proporcionou maior entendimento sobre as dificuldades. Além disso, a aluna notou que independente de gênero, “as crianças se apropriam das histórias de superação e acreditam que devam carregar isso para enfrentar as próprias dificuldades no dia a dia”.

Por meio de ações afirmativas em defesa da equidade socioeconômica, étnico-racial e de gênero, a experiência adquirida com as atividades mostra a importância de contribuir com a política da diversidade nas Instituições de Ensino Superior (IES) e de levar o tema para as escolas. “Hoje tenho uma visão diferente sobre igualdade e desigualdade. Posso me posicionar em situações que antes ficavam em silêncio por falta de conhecimento. De forma simples, percebi que o fato de ser mulher e estar num curso de maioria masculina não me impede de fazer o que eu quero”, afirma a petiana.

Para a tutora do PET Conexões de Saberes – Matemática/CPTL, professora Eugênia Uribe, a atividade trouxe conhecimento e maior sensibilidade sobre o assunto. “Tivemos a certeza de que a questão de gênero deve ser abordada tanto no ensino básico como no superior, e que apenas o conhecimento pode provocar mudanças, reverter preconceitos e diminuir a desigualdade existente entre homens e mulheres na matemática e nas ciências exatas”, destaca.

Em maio deste ano, a atividade foi apresentada no 5º Encontro dos Grupos PET do Centro-oeste, e obteve destaque entre os três melhores trabalhos como comunicação oral. A programação nas escolas inclui levar exemplos de mulheres matemáticas e suas contribuições para o desenvolvimento do país. Atualmente, 13 acadêmicos participam do PET Conexões de Saberes CPTL. Todos engajados em fortalecer a tríade pesquisa, ensino e extensão. Realizam atividades de pesquisa individual e coletiva; atividades de ensino, como monitoria voluntária, plantão de dúvidas, leitura, seminário e ciclo de palestras; e as atividades de extensão nas escolas de Três Lagoas e região.

Parceria

Recentemente, os grupos do Programa de Educação Tutorial Conexões de Saberes, dos câmpus de Três Lagoas e Ponta Porã, firmaram parceria para levar a intervenção para as escolas da região. “A atividade está em andamento e será cadastrada como projeto de extensão. Para isso, vamos estabelecer uma parceria com o grupo PET de Ponta Porã”, ressalta a professora.

Os casos mais citados nas apresentações são da iraniana Maryam Mirzakhani, única mulher a ganhar a Medalha Fields; e da americana Katherine Johnson, que trabalhou na NASA e seu trabalho foi fundamental para colocar o primeiro americano em órbita durante a corrida espacial. Além disso, os petianos dão exemplos de alunas brasileiras do ensino básico que conquistaram prêmios na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) e que representam o Brasil em competições internacionais.

Texto: Paula Navarro (estagiária de Jornalismo)