Semente asteca chia está sendo pesquisada no CPCS

Com alta concentração de nutrientes, a pequena semente asteca chia (Salvia hispanica), de aproximadamente 2mm de diâmetro, começa a ganhar espaço nas pesquisas e nos campos sul-mato-grossenses, que usualmente recebem milhares de hectares de soja e milho, como planta de cultivo de inverno.

Semente nativa do México e da Guatemala, já cultivada comercialmente também em outros países como Argentina, Bolívia, Equador, Peru, Colômbia e até Austrália, no Brasil a pequena pérola acinzentada (com algumas variações de cor) já assume alguns hectares, principalmente no Paraná e no Rio Grande do Sul.

No Mato Grosso do Sul, o plantio ainda é incipiente mas já ganha corpo em cidades como Camapuã e Bandeirantes.

Além das pesquisas de culturas tradicionais da região, como soja e milho, pesquisadores do Campus de Chapadão do Sul (CPCS) assumem interesse pela semente amplamente utilizada há séculos pelos astecas, que as ofereciam aos deuses durante cerimônias religiosas.

Com a coordenação da professora do Programa de Pós-graduação em Agronomia Charline Zaratin Alves, as pesquisas crescem quanto à produção e tecnologia de sementes.

O trabalho de pesquisa iniciou-se entre os anos de 2015/2016 com a procura dos pesquisadores do CPCS por um produtor da região de Chapadão do Sul que se aventurou no plantio da semente.

 “A chia é uma planta de cultivo de inverno, planta de cobertura de entressafra, para não deixar o solo descoberto. E uma cultura bastante promissora, mais rústica. Seu sistema radicular aguenta bem mais em uma situação de falta de água, por exemplo”, explica a professora.

No PPGs, os pesquisadores realizam teste de germinação, de vigor, de substrato, ambiente de armazenamento, temperatura, embalagens. “Com a melhor seleção das sementes acabamos por possibilitar resultados como maior produtividade”, afirma Charline.

Para a pesquisadora, é preciso haver crescimento do número de pesquisas relacionadas à chia, em especial voltadas ao campo, como manejo do solo, adubação, pragas e doenças.

Pesquisa

“Testes de vigor para avaliar a qualidade fisiológica de sementes de chia” foi a dissertação de mestrado da agrônoma Fernanda Brito Cardoso que realizou, com cinco lotes de sementes de chia, avaliações sobre germinação, variações de condutividade elétrica, envelhecimento acelerado, entre outros.

“A redução do poder germinativo é um indicativo importante da perda de qualidade das sementes, porém, é o final do processo de deterioração. Desta forma, o uso de testes alternativos tem sido proposto para avaliar o real estádio de deterioração das sementes.  Os testes de vigor são capazes de identificar, com precisão, os avanços da deterioração das sementes, possibilitando diferenciar lotes com germinação semelhante”, explica Fernanda.

A pesquisadora destaca que entre os diversos testes de vigor, o teste de envelhecimento acelerado apresenta “resultados satisfatórios, sendo um dos mais sensíveis e eficientes para determinar o potencial fisiológico de sementes de diversas espécies, quando essas são submetidas a temperatura e umidade relativa elevadas”.

“O princípio do teste baseia-se no aumento da taxa de deterioração das sementes pela sua exposição a níveis elevados de temperatura e umidade relativa do ar, sendo esses os fatores ambientais de maior influência na intensidade e velocidade de deterioração das sementes”, completa Fernanda.

História

Principal alimento dos astecas no período Pré-Colombiano, a chia mostrou-se rica em ácidos graxos insaturados – com ômegas 3 e 6, vitaminas, antioxidantes, sais minerais, proteínas, carboidratos e fibras.

Em contato com líquidos, as sementes produzem um gel, aumentando de volume, o que está sendo relacionado a uma maior saciedade após sua ingestão, que pode ser in natura, em óleo ou farinha. Indicada para consumo humano ou animal, da chia também são feitos medicamentos e produtos artísticos.

Pertencente à família das Lamiáceas, a chia é considerada um alimento funcional, sendo bastante indicada por especialistas na reeducação alimentar, principalmente para diabéticos, pessoas com problemas de coração e obesidade, ajudando no controle de colesterol, triglicerídeos e glicemia.

A produção mundial é considerada pequena diante da demanda, o que encarece o preço do produto.

Paula Pimenta