Na manhã desta sexta-feira, 29, na UFMS em Aquidauana, foi realizado o lançamento de projetos do Programa UFMS Indígena que receberam recursos de emenda parlamentar do deputado federal Geraldo Resende. A cerimônia contou com a presença da reitora Camila Ítavo e do vice-reitor Albert Schiaveto e reuniu lideranças indígenas, estudantes e professores. 
Os recursos beneficiarão as aldeias de Aquidauana, Anastácio, Miranda e Dois Irmãos do Buriti e incluem a capacitação de 120 cuidadores de pessoas com Transtorno do Espectro Autista, com expectativa de impacto em aproximadamente 1.300 famílias, o rastreio precoce de sinais do transtorno em crianças indígenas, desenvolvido em parceria com lideranças locais e o Distrito Sanitário Especial Indígena, e a ampliação do projeto Aldeias Conectadas, que levará infraestrutura de internet a 18 aldeias da região.
“É uma grande alegria ver o fruto de um trabalho desenvolvido há muitos anos em Aquidauana e poder melhorar cada vez mais as condições de acesso, permanência e sucesso dos nossos estudantes. É um grande orgulho para a UFMS ter essa força na educação superior indígena”, afirmou a reitora Camila Ítavo. Durante o evento, foram inauguradas a Sala Verde, as Redes Sociais e o laboratório de informática indígena. Também foram apresentados ao deputado os alojamentos estudantis, a sala de amamentação e outros espaços voltados ao acolhimento acadêmico.
Camila também ressaltou o compromisso institucional com a sustentabilidade. “A sustentabilidade é um dos valores da nossa missão. Entregar uma Sala Verde cadastrada e aprovada pelo Ministério do Meio Ambiente fortalece a educação ambiental e a formação cidadã dos nossos estudantes”, enfatizou.
O deputado federal Geraldo Resende ressaltou a importância da parceria entre Universidade, lideranças indígenas e instituições públicas. “Estamos apoiando ações que unem educação, saúde, tecnologia e cuidado com as pessoas. São projetos construídos em parceria para atender demandas reais das comunidades indígenas”, afirmou.
A diretora da UFMS em Aquidauana, Ana Graziele Toledo, reforçou a importância do diagnóstico inédito sobre o autismo em populações indígenas. “Esse levantamento permitirá desenhar um mapa do autismo em crianças indígenas no Estado. A partir desses dados, será possível ampliar o acesso ao diagnóstico, aos benefícios sociais, ao cuidado e à assistência para essas famílias”, explicou. Ela disse que o projeto também prevê o desenvolvimento de um protótipo de sala multissensorial de baixo custo para acolhimento de crianças autistas. “Estamos projetando uma estrutura que poderá ser construída por cerca de dez mil reais, tornando esse recurso mais acessível para diferentes comunidades”, acrescentou.
O cacique Ademilson Souza, da aldeia Limão Verde, destacou a relevância das iniciativas para as famílias da região. “Ficamos felizes de ver esse cuidado com a nossa comunidade e com as nossas crianças. Também é gratificante saber que muitos estudantes que hoje estão na Universidade retornarão às aldeias para contribuir com o desenvolvimento da nossa população”, disse.
A secretária de Saúde e Saneamento Básico de Aquidauana, Sandra Maria Santos Calonga, reforçou a integração entre a Universidade e o município. “Quem cuida também precisa de cuidado. A UFMS tem uma contribuição muito importante para a saúde pública, por meio da formação de profissionais, das atividades de extensão e das pesquisas desenvolvidas em parceria com o município”, destacou.
Representando os estudantes indígenas, Rhadassa Pereira Vieira, do curso de Licenciatura Intercultural Indígena, agradeceu pelos investimentos realizados. “Esse projeto permite que muitas mães e estudantes continuem seus sonhos de formação. É uma oportunidade que não vemos em outros lugares e temos muita gratidão por todos os envolvidos”, afirmou.
Texto e fotos: Karolyne Peralta






















