Primeiro treinamento do Repórter Júnior traz novidade e orienta alunos e professores

No sábado passado, 19, foi realizado o primeiro treinamento do Repórter Júnior, projeto de extensão que promove a cobertura jornalística educomunicativa do Integra UFMS, maior evento científico de Mato Grosso do Sul.

Trinta alunos do Ensino Fundamental e Médio de diversas escolas públicas e particulares de Campo Grande foram selecionados, e treze professores destas escolas foram escolhidos para tutoriar os alunos nas atividades do evento.

Rúbia Pedra é presidente da Brava, responsável por incluir o TikTok na cobertura deste ano

Os treinamentos, ministrados pela Brava, Empresa Júnior de Comunicação da UFMS, são obrigatórios para os participantes do projeto. As oficinas preparatórias são divididas entre os núcleos de trabalho (vídeo e telejornalismo, mídias sociais, produção de texto e foto e radiojornalismo), mas o primeiro encontro foi também de apresentação do projeto, do Integra UFMS, da EJ e sobre a educomunicação em si.

“Uma das novidades deste ano é que a gente vai usar o TikTok também, que é uma rede social que cresceu bastante nos últimos tempos, principalmente, agora durante a quarentena. A gente vai ter uma capacitação específica para o TikTok e os alunos vão poder praticar e colocar toda a criatividade nessa nova rede social”, comenta Rúbia Pedra, presidente da Brava.

Alison, 14 anos, será Repórter Júnior pela segunda vez

Esta é a terceira edição do Repórter Júnior, que ano passado cobriu, além do Integra UFMS, a SBPC Jovem, na 71ª Reunião Anual, realizada na UFMS. “Ano passado foi uma loucura, porque a SBPC é um evento tão grande, o maior evento científico da América Latina, foi uma grande realização participar do projeto ano passado e esse ano eu resolvi participar porque queria aumentar meu conhecimento, porque eu quero seguir no jornalismo”, conta Alison Lima Amaral Moreira, 14 anos, aluno da Escola Municipal Prof. Licurgo de Oliveira Bastos. Segundo ele, depois de ter participado da edição passada, suas habilidades de fala, escrita e fotografia foram aprimoradas.

Rose Pinheiro, diretora da Agência de Comunicação Social e Científica da UFMS, é a idealizadora do projeto e afirma ser possível notar um fortalecimento da ação entre os alunos, professores e escolas de Campo Grande. “Estamos muito felizes, porque temos 30 estudantes e 13 tutores, então o número de tutores aumentou muito em relação ao ano passado e é bem bacana, porque a gente vê esse fortalecimento da prática educativa e um maior entendimento do que é o Repórter Júnior”.

Rose Pinheiro afirma ser notável o crescimento do projeto de extensão nesta terceira edição

Com essa propagação, os próprios participantes acabam chamando mais alunos e professores para as próximas edições. “É muito legal, porque as próprias escolas, professores e alunos vão compartilhando a experiência e atraindo outras pessoas. Isso é muito bacana, pois leva nossa prática educomunicativa para outros locais”, explica Rose.

A prova disso é a participação de Evilly dos Santos, 14 anos. Ela estuda com Alison na Escola Municipal Prof. Licurgo de Oliveira Bastos e, ao ouvir sobre sua experiência ano passado, optou por se inscrever este ano com o colega. “É a minha primeira vez participando do Repórter Júnior, eu fiquei sabendo através do Alison, eu vi que ele participou e senti muita vontade de fazer esse ano. Minha expectativa está muito grande e eu estou muito feliz de estar participando na parte de TV, que me chama muito atenção e está me deixando encantada”.

Maria Rondis, professora, ressalta os resultados obtidos com a educomunicação

Um dos objetivos deste projeto de educomunicação é incentivar o protagonismo dos alunos dos Ensinos Fundamental e Médio, algo que a professora Maria Rondis, uma das tutoras selecionadas deste ano, observou na prática. Ela também reforça que a atuação de alunos como repórteres juniores é de aprendizado prático. “Ano passado, nós tínhamos um aluno do terceiro ano [participando do projeto] e foi muito enriquecedor, porque ele aprendeu muita coisa – ele aprendeu a falar, a escrever, a gravar vídeos. É muito importante essa interação. Como disse Paulo Freire, não adianta você ficar só transmitindo conhecimento, você tem que colocar o aluno ali e ser o mediador, e com essa mediação acontece a aprendizagem, porque ele se vê protagonista, ele vai fazer e contribuir, e o professor ou tutor está mediando ali. Não é só uma brincadeira, é conteúdo, você vai aprender alguma coisa e vai passar para outras pessoas”, ressalta.

Já o professor George Camargo, também selecionado como tutor, acredita que “o grande papel do Repórter Júnior é estimular o aluno a vislumbrar possibilidades, a poder se expressar melhor ou pelo menos dar um pontapé inicial nesse processo de se comunicar melhor. Acho que um dos grandes problemas do mundo atual são as falhas de comunicação e quanto mais aperfeiçoado a gente for nisso, melhor, e aí o Repórter Júnior dá uma alavancada nesse processo fenomenal, motivando e estimulando os alunos”.

Por causa da Covid-19, todas as atividades do Integra UFMS 2020 serão a distância, com o uso de plataformas digitais, o que compõe um novo desafio para a cobertura educomunicativa. “Este ano o desafio é ainda maior, porque todo o Integra vai ser realizado de forma remota, então a proposta para os repórteres juniores é também atuar de forma remota, a cobertura também vai ser virtual. Isso é desafiador porque essa vivência, essa troca de experiência do presencial, é muito difícil de reproduzir a distância, mas a gente está criando mecanismos e contando com as Tecnologias de Informação e Comunicação para nos aproximar dos alunos”, conclui Rose.

Texto: Leticia Bueno