Grupo desenvolve aplicativo sobre Dengue

É possível ensinar sobre a dengue em apenas dois minutos? A dúvida ou espécie de desafio inspirou acadêmicos e professores da UFMS e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) à nomeação de um aplicativo criado para este fim: informar sobre a doença, coletar dados sobre a incidência e mostrar uma maneira de se livrar do mosquito transmissor, com a montagem de uma armadilha. O “2 + Dengue” foi desenvolvido em cerca de seis meses e já está disponível gratuitamente na Google Play para o sistema Android, no endereço play.google.com/store/apps/details?id=edu.dengue.

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Ideia para o aplicativo surgiu a partir de sistema de mapeamento geolocalizador

O estudante de Ciência da Computação do Câmpus de Ponta Porã (CPPP) Leonardo Mauro Pereira Moraes conta que a priori a ideia era coletar dados para um sistema de mapeamento geolocalizador, desenvolvido por ele e pelo então colega de curso Alessandro Murta Baldi. Mas, por sequência, foi possível observar a carência de conhecimento sobre a doença e sobre o mosquito transmissor, o que levou os pesquisadores a traçarem um planejamento mais abrangente e partirem para a criação do aplicativo.

Sob a coordenação do professor Amaury de Castro Junior, Leonardo contribuiu para o “2 + Dengue” com desenhos e revisões; Alessandro, hoje já graduado e cursando o Mestrado em Informática na Universidade Federal do Espírito Santo, com o desenvolvimento, layout e a estrutura do aplicativo; e a aluna de Medicina na UEPG, Eduarda Mirela da Silva Montiel com o conteúdo textual, sob a orientação da professora Ana Kluthcovsky.

Conhecimento

Além do conteúdo para a conscientização sobre a doença, o “2 + Dengue” traz o passo a passo de como montar e manter uma armadilha para o mosquito, feita a partir de materiais recicláveis, e um questionário sobre o assunto. Os dados recolhidos via web (caso o usuário permita) serão utilizados para o mapeamento das regiões afetadas por meio de Sistemas de Informações Geográficas (SIG).

Para Leonardo Moraes disponibilizar conhecimento não é somente importante, mas extremamente necessário à comunidade. “O intuito é justamente transmitir um conteúdo de grande impacto à população, além de viabilizar esse controle geoespacial das áreas afetadas e contribuir para diversos estudos”, explica.

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Sistema foi apresentado em congresso

Eduarda Montiel acredita que a multidisciplinaridade deve ser aproveitada para o bem comum. “Foi bastante interessante participar do desenvolvimento do aplicativo, pois acabamos unindo duas grandes áreas, ciências exatas e ciências da saúde, para desenvolver algo que possa ser útil à sociedade”, comenta. A acadêmica ressalta que o diferencial do “2 + Dengue” é a montagem e acompanhamento da armadilha e alerta que, caso o usuário não o utilize da maneira correta, seguindo o passo a passo e respondendo aos questionários também sobre o material, o aplicativo perde parte de sua utilidade. Alessandro Baldi lembra que o conhecimento é disponibilizado no aplicativo de maneira leve e dinâmica, por isso pode ser utilizado também por crianças em idade escolar, de maneira lúdica.

O próximo passo na pesquisa, segundo Leonardo, é aprimorar o aplicativo com mais conteúdo e novos recursos, incrementar o SIG e buscar parcerias. Eduarda sinaliza a intenção de uma parceria com o Ministério da Saúde, especificamente com agentes de endemias. “Eles poderiam ficar encarregados da montagem e acompanhamento das armadilhas em seus locais específicos de atuação, colocando os números de larvas de mosquitos transmissores encontrados no aplicativo, o que geraria um banco de dados para o Ministério da Saúde, além da localização dos lugares nos quais foram encontrados os vetores”, finaliza.

Fotos: cedidas pelo pesquisador