Estudantes da UFMS conquistam primeiro lugar em Game Jam da ExpoGeek 2026

Com jogo inspirado no Pantanal, dupla de Engenharia de Software desenvolveu game cooperativo em apenas duas semanas e levou o prêmio principal da competição

A criatividade, o trabalho em equipe e a paixão pelo desenvolvimento de games garantiram aos estudantes do curso de Engenharia de Software da Faculdade de Computação (Facom), João Pedro de Jesus Perin e Caio Felipe Azevedo Tome, o primeiro lugar na Game Jam realizada durante a ExpoGeek 2026. O evento, promovido pelo Instituto Federal de Mato Grosso do Sul e Associação de Criadores de Jogos do MS (AC Jogos MS), reuniu tecnologia, cultura geek, esportes eletrônicos e inovação em uma programação aberta ao público no último dia 7 de junho, em Campo Grande.

A Game Jam, uma das atrações da ExpoGeek, desafiou participantes a desenvolverem jogos digitais em um período limitado de tempo. A competição reuniu equipes interessadas em transformar ideias em produtos jogáveis.

O jogo campeão foi criado pela dupla, que integra o Laboratório de Engenharia de Software (Ledes Games) da Facom, apostou em uma experiência cooperativa protagonizada por dois símbolos da fauna sul-mato-grossense: uma capivara e um tuiuiú. Na narrativa, os personagens precisam trabalhar juntos para superar obstáculos e escapar de ruínas até chegar ao Bioparque Pantanal. (clique aqui para jogar)

Segundo João Pedro, a participação na competição representou uma oportunidade de colocar em prática conhecimentos adquiridos ao longo da graduação e iniciar uma trajetória mais sólida no setor de desenvolvimento de jogos. “Sempre fui apaixonado por videogames e computação em geral. Vi na Game Jam uma oportunidade de colocar em prática meus conhecimentos em desenvolvimento de jogos, além de desafiar a mim mesmo. Também enxerguei o evento como uma porta de entrada para iniciar minha carreira na área”, afirmou.

A ideia do projeto nasceu de conversas entre os dois estudantes sobre jogos que admiram. Títulos como Celeste, Ori and the Blind Forest e o clássico Fireboy and Watergirl serviram de inspiração para a construção da jogabilidade, da narrativa e das mecânicas cooperativas. “O principal diferencial foi a combinação entre a mecânica cooperativa de resolução de puzzles, a progressão das fases por meio de um level design cuidadosamente planejado e a construção de uma experiência completa, com início, meio e fim, mesmo dentro do escopo de um MVP”, explicou João.

Caio destaca que a proposta foi pensada desde o início para ser viável dentro do prazo da competição. “Eu e o João sempre tivemos muita vontade de criar jogos. Quando lemos o edital, trabalhamos com a ideia de fazer um produto mínimo viável para não ficar muito complicado, nem trabalhoso. A proposta do jogo acabou sendo justamente um dos fatores que ajudaram a destacar o projeto”, contou.

Apesar do resultado expressivo, o caminho até a vitória foi marcado por desafios. Inicialmente, a dupla pretendia utilizar a Unreal Engine, uma das plataformas mais populares para desenvolvimento de jogos. No entanto, faltando menos de duas semanas para a entrega, os estudantes decidiram migrar para uma solução web baseada em JavaScript.

“Essa decisão exigiu uma rápida adaptação, mas nos permitiu focar em nossas habilidades como programadores e concluir o projeto com mais segurança”, relatou João Pedro. Para Caio, a mudança foi determinante para o sucesso da iniciativa. “Tivemos pouco tempo para desenvolver bem as ideias. Depois que trocamos de tecnologia e a documentação estava pronta, o desenvolvimento foi bem rápido. Apenas dividimos as tarefas e começamos a trabalhar”, lembrou.

A conquista surpreendeu até os próprios autores do jogo. “No momento da divulgação do resultado, eu comentava que não acreditava que venceríamos. Havia projetos com grande apelo ao público visitante da Game Jam. Receber a notícia foi uma mistura de satisfação, felicidade e alívio após duas semanas intensas de desenvolvimento”, disse João. Caio também recorda a emoção ao saber do resultado. “Foi incrível, parece até um sonho. Infelizmente não pude acompanhar o João até o final do evento, então fiquei sabendo da vitória por ele”, afirmou.

Reconhecimento e oportunidade

Para o professor da Facom e coordenador do Ledes Games, Ricardo Geraldi, a premiação vai além do reconhecimento individual dos estudantes e representa um avanço importante para o fortalecimento da indústria de jogos em Mato Grosso do Sul. “A vitória do João Pedro e do Caio Tomé nesta Game Jam da ExpoGeek 2026 é essencial para motivar o desenvolvimento do ecossistema de games em Campo Grande e mostrar aos estudantes que eles podem ser protagonistas dessa história, criando novos jogos e negócios com foco em empreendedorismo e inovação”, destacou.

O coordenador ressalta que o crescimento do setor é resultado da articulação entre universidades, empresas e instituições parceiras. “Estamos construindo esse ecossistema graças ao esforço conjunto de desenvolvedoras como Asantee Games, Cadabra Games e Ilex Games, além de organizações parceiras como AC Jogos MS, Sebrae/MS, Senac Hub e IFMS. Os estudantes João e Caio são proativos na UFMS e vêm contribuindo com o Ledes Games ao longo do tempo”, afirmou.

Os dois vencedores reconhecem a importância da UFMS e do Ledes Games em sua formação. João destaca que o ambiente proporcionou acesso à infraestrutura e aos conhecimentos necessários para enfrentar os desafios técnicos do desenvolvimento do projeto. “A UFMS teve papel fundamental nessa conquista, pois além de ter acesso ao laboratório, adquiri todo o conhecimento ao longo da graduação”, ressaltou.

Caio agradeceu o apoio recebido durante sua trajetória acadêmica. “A UFMS nos deu uma sólida base para documentação, fluxo de versionamento e codificação. Tenho que agradecer especialmente ao professor Ricardo, que por meio do Ledes Games me ajudou muito na parte de documentação e no entendimento de como construir um Game Design Document (GDD) (documento que serve como o projeto de um jogo)”, disse.

Após a conquista, a dupla já planeja os próximos passos. Entre os objetivos estão aprimorar o jogo vencedor, explorar novas funcionalidades e desenvolver versões para outras plataformas, incluindo dispositivos móveis. A experiência reforçou o desejo dos estudantes de continuar atuando na indústria de jogos digitais. João pretende participar de novas Game Jams, ampliar sua experiência profissional e seguir o sonho de criar o próprio estúdio de desenvolvimento. Já Caio acredita que a vitória pode ser o início de novos projetos independentes. “Quem sabe eu e o João façamos até outros jogos indie”, concluiu.

Mais eventos

“A comunidade ainda ficará ativa com a Game Jam Plus (GJ+) que será realizada em outubro pelo Senac Hub e UFMS e com o Pantanal Game Show ),  nos dias 25 e 26 de novembro. Esse último é organizado por Bruno Pereira da Asantee Games e co-realizado pelo Flávio Dominique do Sebrae-MS. Os dois foram jurados da Game Jam da ExpoGeek 2026. Os eventos devem fortalecer e aproximar mais instituições, empresas e comunidade universitária para, juntos, evoluirmos o ecossistema de games em Campo Grande”, informa o professor Ricardo. Segundo ele, todos são parceiros da UFMS.

Texto: Vanessa Amin

Fotos: Pedro Roque/AC Jogos