Estudantes da UFMS de Nova Andradina se destacam com competição internacional

Hult Prize vai dar US$ 1 milhão para projeto que vencer a etapa global em Nova York

Na sexta-feira, dia 8, a equipe Elo 67, do Time Enactus da UFMS de Nova Andradina, irá participar da etapa nacional do Hult Prize, que será realizada no Salão Nobre da Fundação Getulio Vargas, em São Paulo.

O projeto Macavida, desenvolvido pela Elo 67, está entre os 1,5 mil projetos selecionados em todo o mundo para a competição. Segundo a professora e orientadora Gislayne Goulart, o processo contou com a participação de 18 mil equipes, representantes de mais de 130 países. “Menos de 9% chegaram até aqui. A UFMS é uma delas”, comemora a professora.

Trata-se de uma iniciativa de bioeconomia que transforma a macaúba, fruto nativo do Cerrado, em produtos alimentícios nutritivos, promovendo a preservação ambiental e o desenvolvimento regional. O projeto nasceu da identificação de um problema concreto: o desperdício de um recurso abundante e com alto valor nutricional, resultando em uma solução que integra inovação, sustentabilidade e empreendedorismo de impacto.

Na prática, o Macavida atua diretamente com a agricultura familiar, especialmente com mulheres produtoras rurais, estruturando uma cadeia de valor rastreável em torno da macaúba. “Vemos no Macavida uma oportunidade de transformar esse fruto do Cerrado em uma cadeia de valor sustentável, capaz de gerar renda e novos produtos para a agricultura familiar da região, valorizando o bioma onde estamos inseridos”, destaca o estudante e sócio-fundador da Elo 67 João Vitor Lima. João é formado em Administração e, atualmente, estuda Engenharia de Produção na UFMS de Nova Andradina.

Para o estudante do curso Administração, João Lucas Vieira, que também é sócio-fundador da Elo 67, a classificação tem um significado que vai além da competição. “Ficamos muito felizes por termos avançado para a etapa nacional do Hult Prize. É um reconhecimento do trabalho que estamos desenvolvendo aqui em Nova Andradina e região. E é uma grande satisfação representar nossa cidade e o estado de Mato Grosso do Sul em uma competição desse nível”, ressalta.

Gislayne também é conselheira do time Enactus e acompanha cada etapa do desenvolvimento do Macavida desde sua concepção, integrando a iniciativa às suas atividades de pesquisa e extensão universitária. Segundo ela, a seleção reflete a solidez do que vem sendo construído. “O Macavida surgiu de uma leitura cuidadosa do território. A macaúba sempre esteve ali, presente no Cerrado, com valor nutricional e econômico que vem sendo comprovado. O que esses jovens fizeram foi enxergar nesse fruto nativo uma oportunidade real de bioeconomia, capaz de gerar renda para famílias do campo e de mostrar que preservar o Cerrado e empreender não são caminhos opostos. Estamos muito contentes de avançar na competição. Chegar ao Hult Prize é o resultado de um trabalho sério, e é também uma afirmação de que o interior do Brasil tem capacidade de competir e propor soluções em palcos internacionais”, fala a professora.

Outros prêmios

O projeto Macavida já conquistou o 3º lugar estadual no Programa Jovem Sucessor Rural, promovido pelo Senar-MS, e o 3º lugar na região Centro-Oeste no programa Supernova 2025, do Sebrae em parceria com o Ministério da Educação, figurando entre os destaques nacionais. Atualmente, a iniciativa é também semifinalista do Prêmio Alimentação em Foco, da Fundação Cargill em parceria com a Enactus Brasil, voltado ao fortalecimento de negócios inovadores no setor alimentício.

“A trajetória do Macavida reflete o compromisso da UFMS com a formação de profissionais capazes de transformar conhecimento em soluções reais para a sociedade. A iniciativa também tem colocado o campus e a universidade em evidência no cenário nacional e internacional do empreendedorismo de impacto”, finaliza Gislayne.

O que é o Hult Prize

Criado em parceria com a Hult International Business School e apoiado pela EF Education First, o Hult Prize conecta jovens empreendedores de todo o mundo a um ecossistema de inovação formado por investidores, especialistas e líderes globais. A proposta é clara: negócios que geram lucro e impacto social e ambiental real, ao mesmo tempo. Além das bancas de avaliação, a programação inclui workshops, painéis com ex-participantes e sessões de networking estratégico.

Texto: Vanessa Amin

Fotos: Enactus de Nova Andradina