Estrada Parque Piraputanga é decifrada em pesquisa de diagnóstico ambiental e turístico

Como bem equacionar atividades de turismo com menor impacto no ambiente natural, gerando maior provimento de renda e desenvolvimento da comunidade local. Essa é a questão em análise na pesquisa “Estrada Parque Piraputanga: diagnóstico ambiental e possibilidades de utilização turística”.

Coordenada pela professora do curso de Turismo do Câmpus de Aquidauana (CPAQ)  Isabelle de Fátima Silva Pinheiro, a pesquisa está sendo realizada em toda a extensão da Estrada Parque, desde Palmeiras até Camisão, entre os municípios de Aquidauana e Dois Irmãos do Buriti, região sudoeste de Mato Grosso do Sul.

Foto: Leandro Tobias

De acordo com o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, com 10.108 hectares, a Estrada Parque, que é uma Área de Proteção Ambiental (APA) criada em 2000, compreende um trecho de 42,5 quilômetros contínuos de estrada entre Aquidauana e Dois Irmãos do Buriti.

“Em termos turísticos, a Estrada Parque Piraputanga se caracteriza como relevante área natural com potencialidade para o desenvolvimento de atividades de turismo rural, de aventura, técnico-científico, dentre outras modalidades. Por estar em uma área de transição dos Biomas Cerrado e Pantanal, o local é palco de diversidade natural e beleza paisagística ímpar, o que possibilita um incremento para o turismo tanto de Aquidauana, como para o estado de Mato Grosso do Sul”, aponta a pesquisadora.

A localização da Estrada Parque Piraputanga é considerada estratégica, estando próxima às rodovias federais que ligam Campo Grande a Bonito e Corumbá. “Considerando que os planejadores do turismo, ao delimitarem vias de acesso, devem primar por locais que tornam as estradas mais atrativas, a Estrada Parque Piraputanga pode ser um importante corredor turístico para o Estado”, completa.

A pesquisadora acredita que a implantação da Rota Pantanal-Bonito que integrará as regiões turísticas Pantanal e Bonito/Serra da Bodoquena, possibilitará um maior fluxo de turistas na Estrada Parque Piraputanga, que está localizada entre o principal “portão de entrada” de Mato Grosso do Sul (Campo Grande) e os dois destinos turísticos indutores do Estado. “Deste modo, ao organizar o turismo na Estrada Parque Piraputanga, a gestão pública e o trade turístico possibilitarão maior tempo de permanência do turista no Estado, além de diminuir a distância entre as regiões e ainda, agregar valor ao deslocamento desse mesmo turista”, diz.

Etapas

Foto: Isabelle Pinheiro

Para realizar o diagnóstico ambiental desta área natural protegida, estão sendo feitas a descrição e a mensuração das áreas e recursos naturais com potencialidade para o turismo; levantamento do perfil da demanda turística e conhecimento das estratégias de gestão ambiental da Estrada Parque Piraputanga.

“Para a descrição e mensuração das áreas e recursos naturais com potencialidade para o turismo, elaboramos um formulário de pesquisa que além de descrever os aspectos naturais, histórico-culturais e socioeconômicos da Estrada Parque Piraputanga, também mensura o nível de potencialidade para o turismo”, explica a professora.

A proposta é de que para cada índice gerado haja uma cor, de forma a ilustrá-lo. Segundo Isabelle, os pontos e áreas serão espacializados através de mapas com as cores respectivas ao índice atribuído ao recurso natural, de modo que o planejador e gestor da Estrada Parque Piraputanga saiba onde estão os potenciais atrativos turísticos e qual o nível de potencialidade turística.

No levantamento do perfil da demanda turística da Estrada Parque Piraputanga foram aplicados formulários em Palmeiras, Piraputanga, Furna dos Baianos e Camisão nas pousadas, pesqueiros, atrativos e restaurantes, especialmente em épocas de maior demanda como Carnaval, Semana Santa e eventos programados.

Dados preliminares deste levantamento foram apresentados no Congresso Ibero-americano de Estudos Territoriais e Ambientais (Cieta), no último mês de agosto, em Foz do Iguaçu.

Foto: Isabelle Pinheiro

“Por últimos, estamos fazendo o conhecimento das estratégias de gestão ambiental da Estrada Parque Piraputanga, realizado através de leitura e analise da documentação e legislação que regem os modos de uso e apropriação da Estrada Parque”, diz Isabelle.

O projeto de pesquisa também servirá como levantamento para formar um banco de informações com vistas a elaboração do Plano de Manejo da Estrada Parque Piraputanga.

Turismo

A pesquisa, de acordo com a coordenadora, confirmou que a Estrada Parque Piraputanga é dotada de relevante diversidade natural, geológica e geomorfológica, que faz dela uma área natural de grande beleza cênica.

“Além disso, os espaços naturais possuem poucos elementos artificiais na paisagem, o que favorece o bom nível de atratividade turística do local. No entanto, estes mesmos locais estão sofrendo com impactos ambientais, além de serem visitados sem controle e estratégias de planejamento, organização, gestão e monitoramento do uso das áreas e recursos naturais”, afirma.

Por isso, segundo a pesquisadora, a utilização turística do local precisa ser regida por uma regulamentação de uso e acesso das áreas naturais, para possibilitar uma organização da visitação nas áreas, inclusive para regulamentar a operacionalização de trilhas e outras atividades realizadas no ambiente natural.

“É urgente também que seja elaborado e apresentado o Plano de Manejo da área, uma vez que o documento vai direcionar os recursos e as ações de gestão da área”, completa.

A preservação e a geração e renda não se excluem, na opinião de Isabelle. “Na verdade, quanto mais controle do uso e acesso das áreas naturais, maior é a possibilidade de geração de renda para o local. Por exemplo, existem áreas na Estrada Parque Piraputanga com forte apelo turístico, mas localizadas em propriedades privadas. Os proprietários dessas áreas, por passarem por problemas de “invasão” de alguns visitantes, proibiram o acesso ao local. Neste caso, se houver uma regulamentação que estabeleça a capacidade de carga dos atrativos, que direcione a operacionalização das atividades de lazer no local, que regulamente também os profissionais que podem legalmente conduzir as atividades como os conduto res ambientais, essas áreas poderão ser abertas para visitação, gerando renda de forma direta e indireta para a comunidade local”, aponta.

Visita técnica de pesquisadores do projeto e do Comtur Foto: Isabelle Pinheiro

É possível apostar ainda que a definição de estratégias de planejamento que orientem a integração das atividades de lazer, que atualmente acontecem de forma isolada, poderão permitir que a comunidade local seja inserida na dinâmica do turismo.

“Os levantamentos irão permitir que a gestão pública possa dispor de informações que contribuirão para subsidiar ações de intervenção no local, assim como aos empresários, que precisam ter informações para direcionar seus investimentos e, principalmente, a comunidade local, que poderá conhecer melhor sua região e as possibilidades de utilização turística dela”, afirma a professora.

A pesquisa, realizada no curso de Turismo (CPAQ), tem ainda a participação de um aluno bolsista voluntário, um técnico da UFMS e um pesquisador doutorando da UFPB, também técnico de geoprocessamento da UFMS.

Paula Pimenta