Dissertação da UFMS vence prêmio nacional de pesquisa em Ciências Sociais

A estudante de mestrado da UFMS, Bárbara Ferreira Ávila do Carmo, recebeu o prêmio de Melhor Dissertação no 50º Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs). Desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFMS, sob orientação do professor Asher Grochowalski Brum Pereira e coorientação da professora Priscila Lini, a pesquisa “O caso de Elena: etnografia de um processo criminal envolvendo indígenas dos povos Kaiowá e Guarani Ñandeva” recebeu o maior reconhecimento da área de Ciências Sociais. O estudo analisa as relações entre o sistema de Justiça brasileiro e os povos indígenas a partir de um processo criminal relacionado a um caso de feminicídio ocorrido no município de Japorã envolvendo uma liderança indígena Guarani Ñandeva.

Para o coordenador do PPGAS, professor Guilherme Passamani, a conquista representa um marco para o programa, que participa pela primeira vez da premiação nacional. Com dez anos de criação, que serão completados em dezembro de 2026, o curso ainda não oferece doutorado. “Um programa razoavelmente novo, que completa dez anos em dezembro e ainda não tem doutorado, conseguir ganhar esse prêmio pela primeira vez é uma enorme visibilidade. Isso nos projeta positivamente na Antropologia brasileira, chama a atenção para o nosso programa e nos dá um destaque muito grande”, destaca.

A pesquisa investiga as relações entre perspectivas ameríndias e os procedimentos do sistema de Justiça brasileiro, com atenção aos desafios da comunicação intercultural, às especificidades culturais e jurídicas dos povos indígenas e aos limites das abordagens tradicionais da Justiça diante desses contextos.

Para desenvolver o estudo, a autora combinou etnografia documental, observação do Tribunal do Júri e trabalho de campo junto às comunidades indígenas envolvidas. A dissertação também aborda a atuação das instituições públicas, o pluralismo jurídico e o protagonismo indígena na construção de perspectivas de justiça que considerem diferentes referências culturais e sociais.

Segundo Passamani, além de destacar a produção científica da UFMS, a premiação amplia a visibilidade de pesquisas que aproximam diferentes áreas do conhecimento. “É muito importante para o nosso programa, para a nossa faculdade e para a UFMS”, finaliza.

Texto: Juliana Menezes, estagiária da Agecom/RTR