Comitê Operativo de Emergência da UFMS alerta para aumento do alto risco da Covid-19

Mais uma vez o alto risco de disseminação do Coronavírus está presente na maioria das cidades onde há câmpus da UFMS. Com exceção de Corumbá e Três Lagoas que estão em risco médio, os outros oito municípios estão com a luz vermelha acesa.

Esse é a mais nova Análise de Cenário da Covid-19, feita pelo Comitê Operativo de Emergência da UFMS para o período de 6 a 19 de dezembro e que compõe ações do Plano de Biossegurança da Instituição e que também norteiam decisões a serem tomadas pela Administração Central, direções dos câmpus e das unidades.

Mato Grosso do Sul já registra 101,1 mil casos, com quase 1,8 mil mortes, e aumento expressivo dos números nas últimas semanas. Segundo a médica infectologista Mariana Croda, membro do COE/UFMS, os registros são preocupantes.

“Estamos tendo uma média de mil casos dias, que se dá pelo represamento também, mas não muda o cenário de uma transmissão sustentada, alta incidência da doença, transmissão viral. Vivemos um grande número de casos, com alta incidência de julho a setembro, e começamos a sentir uma diminuição. Não houve mais o isolamento social desde então. Houve uma flexibilização grande, o que fez com que o vírus voltasse a circular de uma forma muito grande, por isso, tivemos uma incidência rápida do número de casos, superando já aquela que chamamos de primeira onda”, afirma.

A UFMS tem agido de forma exemplar, segundo a infectologista, por analisar e tomar medidas antes mesmo que decisões públicas sejam tomadas.

“A decisão para manutenção das atividades acadêmicas de maneira remota foi acertada, uma vez que vimos que esse cenário instável faz com que muitos desses alunos se exponham. O primeiro passo é que as atividades continuem a distância. Isso faz com que os câmpus de alguma forma estejam seguros e as atividades presenciais têm se restringido aquelas essenciais. Com esse novo cenário, algumas atividades que tinham sido retomadas, retrocedem e são fechadas novamente”, explica.

Há uma recomendação geral, segundo a médica, mas cada campus, cada unidade faz a sua avaliação e tem um plano de Biossegurança individualizado, planos que são discutidos no colegiado.

“Os especialistas que compõem o COE já fazem essas previsões antecipadamente para que essas medidas sejam tomadas em tempo oportuno”, diz.

O Sistema Prosseguir, que faz o mapa de risco, utiliza pontuação que avalia vários aspectos, não somente o número de casos, mas também a capacidade de acesso ao serviço de saúde (leitos de UTI e internação), a capacidade diagnóstica, isolamento e o monitoramento dos casos.

“O Sistema Prosseguir faz o monitoramento a cada 14 dias, por isso é importante que cada município fique atento a esses números, faça os seus diagnósticos parciais para que as medidas sejam tomadas em tempo oportuno, de forma tempestiva e que sejam efetivas de alguma forma. Todas até agora, incluindo o toque de recolher, são muito tímidas para a situação que vivemos hoje” afirma Mariana.

A Universidade tem tomado todas as medidas para que as atividades presenciais sejam seguras, principalmente pensando no cuidado como um todo, com os acadêmicos e colaboradores, de acordo com a médica.

“Mesmo que a gente faça esse ambiente seguro, temos percebido que as pessoas têm se exposto de maneira inadequada nos ambientes fora dessas atividades, em finais de semana, em viagens, em aglomerações desnecessárias, em bares e restaurantes que são locais de altíssimo risco. É importante salientar que não adianta a Universidade tomar todas as medidas, se essas pessoas estão se expondo fora desse ambiente e trazendo a Covid para dentro da Universidade. A manutenção das atividades remotas ocorre para a segurança das pessoas, que devem se manter no isolamento, pensar no coletivo e principalmente pensar que pode estar levando a doença para um potencial grupo de risco”, alerta.

Segunda onda

Mato Grosso do Sul, assim como muitos outros estados brasileiros, vive agora uma segunda onda.

“A questão da segunda onda é importante até do ponto de vista de comunicação para que as pessoas entendam que temos sim uma retomada da doença. Tivemos uma baixa descendência da curva no Brasil, ou seja, ficamos com uma alta transmissão durante muito tempo e mais de mil óbitos por mais de 90 dias, o que faz com que não seja uma curva completa. Um platô alto. Quando percebemos essa descendência, rapidamente voltou a subir”, analisa Mariana.

O momento é de retomada de medidas de restrição como no período de alta incidência da doença. “Hoje não temos vagas de UTI nos serviços privados de saúde em Campo Grande, muitos hospitais veem o aumento das internações e temos um risco muito grande de entrar no colapso do sistema de saúde, ou seja, pessoas morrerem sem acesso a leitos”.

Para a infectologista, é importante que medidas severas sejam tomadas, incluindo o fechamento dos serviços não essenciais, a conscientização da população e principalmente a proteção do grupo de risco, que são os idosos e os portadores de doenças crônicas.

O Brasil está muito mais perto da solução do que antes, segundo a médica, tendo em vista que os resultados preliminares da fase três dos estudos das vacinas são estimuladores.

“Achamos que em alguns meses teremos uma solução permanente. É o momento de se recolher, não se expor, porque em pouco tempo teremos uma solução efetiva. O Brasil vai ser pioneiro na vacinação em massa da sua população, temos várias vacinas que têm bons resultados e o país tem a capacidade de produção rápida”, afirma.

Texto: Paula Pimenta