Fotos: Cinecafé

Acadêmicos de Ciências Sociais realizam estudo do público de cineclubes do MIS

Referência na exibição de filmes e documentários não comerciais e embutidos de relevância social, o Museu de Imagem e Som de Campo Grande (MIS) tem agora delineado o perfil do público dos cineclubes que promovem sessões de exibição e debate de produções audiovisuais na Instituição.

Acadêmicos do curso de Ciências Sociais da UFMS realizaram entre outubro e dezembro do ano passado, durante estágio obrigatório, pesquisa para mapear os visitantes de três cineclubes que atuam no MIS – Cinecafé, Marginália e Árvore-ser – com relação ao perfil, interesse, infraestrutura e programação.

O resultado irá possibilitar à direção do MIS desenvolver eventos, políticas e produções direcionadas a aumentar o público nas exibições, assim como trabalhar para a maior diversificação dos visitantes.

“Tínhamos até então dados muito superficiais dos visitantes dos cineclubes. Agora temos um documento para podermos nos organizar e pensar melhor nossas ações”, explica a coordenadora do MIS, Marinete Pinheiro.

O estudo foi realizado pelos acadêmicos Fernando de Campos Barbosa Filho, Giovanna Bem Borges, Jônatas Stritar Alaman e Thais Almeida Cariri, com a coordenação do professor de Ciências Sociais Victor Garcia Miranda.

Após a entrevista por meio de questionário com 62 pessoas que frequentaram os cineclubes naquele período, os estudantes levantaram que a maior parte do público é composto por jovens (57,3%) brancos (51,6%) e universitários (45%) e que 45% dessas pessoas chegam ao MIS de carro.

“Podemos ver que é preciso haver novas iniciativas, políticas públicas, para atrair mais pessoas de perfis diferenciados”, diz o acadêmico Fernando Filho, que antes mesmo de trabalhar na pesquisa era frequentador das exibições no MIS.

“Quanto às motivações que levam as pessoas a frequentar os cineclubes, 26 (41,9%) responderam que o motivo da visita foi a busca por entretenimento, enquanto 25 (40,3%) manifestaram interesse na agenda cultural de Campo Grande. Já 13 (21%) responderam que eram cinéfilos e/ou possuíam interesse nas discussões promovidas após o filme, 12 (19,4%) queriam conhecer melhor o museu e 9 (14,5%) foram a convite de amigos ou colegas que já frequentavam a agenda promovida pelos cineclubes”, apontam os pesquisadores.

Para o público, a preferência pelos filmes selecionados (56,6%) é o que mais os motiva ir ao MIS, assim como a diversidade de filmes (50%). O ambiente aparece em 66,1% dos questionários como uma influência para ir no MIS.

Entretanto, a maior parte dos entrevistados (51,6%) disse que o gênero do filme a ser exibido não determina sua presença às exibições. Mas 71% priorizam as obras que possuem grandes críticas e relevância social.

A maioria dos entrevistados (62,9%) respondeu que soube das exibições por meio de rede social, enquanto 25,8% por conversa com amigos. “Ficamos encantados com a dedicação dos estagiários. Agora iremos trabalhar com esses resultados, para melhor atender essa ânsia que o público tem por essas exibições e debates”, completa Marinete.

O público, em sua maioria (93,5%), apontou existir sim uma função social no Cineclube. “Desta forma, se torna emergencial a criação de espaços de disseminação cultural – como os Cineclubes – que abarquem o potencial pedagógico e transformador do cinema em toda a sua potencialidade”, afirmam os pesquisadores.

Informações sobre as atividades do MIS e das exposições dos cineclubes podem ser obtidas por meio das redes @museu.mis.ms (Facebook) e @misdems (Instagram).

Paula Pimenta