Projetos de estudantes da UFMS de Ponta Porã são selecionados para pré-incubação no Parque Tecnológico Internacional

Programa Ypy Porã terá duração de 14 semanas e busca transformar ideias inovadoras em negócios, com apoio da Fundação Certi

Equipes integradas por estudantes da UFMS de Ponta Porã estão entre as selecionadas para o programa de pré-incubação Ypy Porã do Parque Tecnológico Internacional (PTin) do município. O objetivo é transformar ideias inovadoras em negócios reais. O programa terá duração de 14 semanas e conta com apoio da Fundação Certi, de Florianópolis.

“Foi com muita alegria que nós da UFMS de Ponta Porã recebemos o resultado da participação dos nossos alunos no Programa Ypy Porã. Esse resultado é fruto do alinhamento e da dedicação de vários atores dentre os quais destaco: a Agência de Inovação da Universidade, que nos acompanha com capacitações e a infraestrutura física para a realização das atividades e as parcerias estratégicas com entidades como o Sebrae-MS, o Fronteira da Inovação – Ecossistema Binacional de Inovação de Ponta Porã e a Prefeitura de Ponta Porã, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Integrado. É gratificante ver nossos alunos engajados e envolvidos ativamente nas atividades. Dessa forma, reafirmamos nosso compromisso com uma educação pública, gratuita e de qualidade da nossa Universidade com Mato Grosso do Sul”, avalia o diretor do câmpus Leonardo Souza.

A secretária municipal de Desenvolvimento Integrado, Raquel Lageano, falou sobre a importância do ensino superior, em especial sobre a participação da UFMS no processo de inovação na fronteira. “O ensino superior é um dos pilares do ecossistema de inovação. É na universidade que se formam talentos, se produzem pesquisas e surgem soluções para as demandas do território. O fato de cinco das trinta vagas serem ocupadas por iniciativas com estudantes da UFMS demonstra qualidade técnica e protagonismo”, diz.

“O desempenho dos estudantes foi muito positivo, revelando maturidade na elaboração dos projetos e alinhamento com as vocações econômicas da região, o que reforça a importância da integração entre universidade, poder público e setor produtivo para impulsionar o desenvolvimento local”, avalia Raquel.

Sobre as expectativas em relação à incubação e ao PTIn, Raquel acredita que os empreendimentos incubados devem ser consolidados como negócios sustentáveis, inovadores e com potencial de crescimento além das fronteiras locais. “O ambiente do PTIn foi concebido para oferecer estrutura, articulação institucional e integração com o ecossistema de inovação, permitindo que ideias se transformem em soluções aplicadas à logística, ao comércio exterior, ao agro, à economia criativa e a novos serviços tecnológicos. Espera-se que essas iniciativas gerem empregos, atraiam investimentos e contribuam para a consolidação de Ponta Porã como referência em inovação de fronteira, conectando conhecimento, mercado e oportunidades internacionais”. O PTIn deve ser inaugurado nas próximas semanas.

“Essa iniciativa da Prefeitura e do PTIn é um divisor de águas, pois muda o paradigma da fronteira: saímos apenas do comércio para focar na inovação. O Ypy Porã é vital para a retenção de talentos, permitindo que nossos alunos construam o futuro aqui. A expressiva aprovação da UFMS prova que nossa base técnica é sólida e que estamos formando protagonistas capazes de transformar ciência em soluções reais para a economia regional”, destacou a professora da UFMS de Ponta Porã, Ellen Marianne Cavalheiro. Ela é coordenadora do curso de Sistemas de Informação e participa, com os professores Priscila Silva, David Ramos e Leonardo Souza, do Ecossistema de Inovação de Ponta Porã.

Projetos selecionados

De acordo com a professora Ellen, foram cinco propostas apresentadas por estudantes da UFMS de Ponta Porã aprovadas no edital: LexHive, por Johnathan Cabrera Miguel, em segundo lugar; Ruraly, por Lucas Macedo, em 14º; Medianeira Card, por Luana Benitez, em 17º; Waiter Flow, por Reinaldo Abel, em 18º; e Lava Jato Livre, por Roberto Bambil Campeiro, em 23º.

“Embora os detalhes técnicos de cada plano de negócio sejam internos, os nomes das propostas indicam soluções para setores distintos e estratégicos. O LexHive é voltado ao setor jurídico; o Ruraly ao agronegócio; o Medianeira Card ao transporte público; o Waiter Flow à otimização de processos no setor de alimentação e serviços; e o Lava Jato Livre à gestão e automação de serviços automotivos.

“O desempenho de nossos alunos foi consistente e diversificado. A presença de cinco projetos aprovados, com um deles ocupando a vice-liderança, demonstra que a base técnica dos estudantes da UFMS está alinhada às exigências de mercado e aos critérios do edital (problema, solução, tecnologia e equipe). A aprovação de projetos em diferentes faixas de classificação evidencia que a universidade está fomentando ideias em diversos estágios de maturidade, cumprindo o papel de suprir o ecossistema local com propostas viáveis”, enfatiza Ellen.

Solução para o setor jurídico

O estudante do curso de Sistemas de Informação Johnathan Cabrera Miguel liderou a equipe que ficou em segundo lugar entre as 30 aprovadas. “Sempre buscamos acompanhar iniciativas de fomento à inovação na região, especialmente as divulgadas pela UFMS. O que nos motivou a participar foi a urgência de um problema real que identificamos: a vulnerabilidade tecnológica dos pequenos escritórios de advocacia, especialmente diante do chamado ‘Golpe do Falso Advogado’ aqui no estado. O edital foi a oportunidade perfeita para pensarmos em uma possível solução e transformá-la em um negócio validado, capaz de proteger profissionais e cidadãos”, explicou Johnathan.

“Nossa proposta é o LexHive, uma plataforma SaaS desenhada para ser o ‘sistema operacional’ de pequenos escritórios de advocacia. Além do modelo de gestão administrativa, nosso diferencial é oferecer uma blindagem de segurança na comunicação do escritório, o que chamamos de Walled Garden, que busca eliminar tecnicamente a chance de golpistas se passarem pelo advogado no WhatsApp, assim como a organização de documentos com o conceito Zero-Click, reduzindo drasticamente o trabalho manual. Para construir isso, formamos uma equipe de amigos que trabalham em áreas relacionadas ao projeto que buscamos desenvolver”, contou o estudante.

Johnathan já é formado em Física e mestre em Ensino de Ciência pela UFMS. Há 14 anos atua como professor de Física na rede estadual. Sistemas de Informação é sua segunda graduação e ele está no sétimo semestre. Integram a equipe liderada por ele: a administradora Vivian Godoy; o bacharel em Sistemas de Informação pela UFMS, Diego Bonilha; e os estudantes do oitavo semestre do curso de Sistemas de Informação Jaime Neto e Joice.

“Nossa principal expectativa com a pré-incubação é amadurecer o nosso modelo de negócios e transformar a capacidade técnica em uma empresa estruturada e sustentável. Embora possamos desenvolver o software sob a perspectiva tecnológica, construir uma startup exige validação de mercado, estratégia e posicionamento claros. Esperamos que as mentorias, conexões e metodologias da iniciativa nos ajudem na consolidação do LexHive, no refinamento do nosso Go-to-Market e na estruturação do lançamento do Produto Mínimo Viável (MVP), reduzindo riscos e aumentando a aderência ao mercado. Para a nossa formação, a pré-incubação representa a ponte concreta entre a teoria acadêmica e o mercado real. É a chance de desenvolver habilidades de empreendedorismo, desenvolvimento de tecnologia, captação de recursos e negociação para além da sala de aula”, destacou Johnathan.

Ele reforça que a iniciativa tem impacto vital. “A UFMS é o celeiro de talentos técnicos e científicos. Praticamente toda a nossa equipe técnica vem do curso de Sistemas de Informação da instituição, no campus de Ponta Porã. No entanto, para que esse capital intelectual não fique restrito à universidade, é preciso que haja um direcionamento com iniciativas como essa. O Parque resolve exatamente esse gargalo. A Prefeitura entrega o ‘chão de fábrica’ da nova economia e a UFMS entra com o capital intelectual, buscando formar desenvolvedores e gestores como a nossa equipe do LexHive”.

Johnathan também destacou a parceria entre a UFMS e a Prefeitura e a importância da instalação do PTIn. “Sabemos que o Parque Tecnológico oferece o espaço, as mentorias e a ambiência para que esse conhecimento vire um negócio real e resolva problemas da nossa própria região. Quando a Prefeitura e a Universidade se unem em um programa como este, elas criam a infraestrutura necessária para reter talentos locais. Em vez de exportarmos nossos bons desenvolvedores e gestores para outros estados, nós criamos tecnologia aqui, gerando empregos, impostos e soluções inovadoras para a nossa própria região”.

“O que mais me chamou a atenção foi a maturidade na identificação de problemas reais da nossa região. As propostas não ficaram apenas no campo das ideias abstratas; os proponentes demonstraram um cuidado técnico rigoroso ao descrever o produto, a tecnologia e, principalmente, a composição das equipes. Foram projetos com diferenciais competitivos sólidos para uma fase de pré-incubação. Fico muito orgulhosa em dizer que nossa universidade se confirmou como um grande motor de inovação. O edital revelou que o conhecimento produzido em nossas salas de aula está sendo transposto para o mercado. Tivemos uma participação expressiva de nossa comunidade acadêmica, o que mostra que a UFMS não está apenas assistindo à inovação em Ponta Porã, mas liderando o processo ao lado dos nossos parceiros”, destacou a professora Ellen.

Apoio do Sebrae

O destaque da UFMS no edital de pré-incubação também pode ser atribuído à parceria com o Sebrae MS. A agente local de inovação no Ecossistema de Ponta Porã, Karla Machado, falou sobre a importância da união de esforços em prol da inovação.

“Essa relação é marcada por uma parceria sólida e colaborativa. A UFMS tem sido uma importante apoiadora das ações do ecossistema local de inovação, contribuindo de forma ativa com conhecimento, participação em projetos e troca de experiências. Essa integração fortalece o empreendedorismo e aproxima a academia das demandas do território, gerando oportunidades para estudantes e empreendedores. Gostaria de agradecer ao professor e diretor Leonardo e aos professores da UFMS de Ponta Porã, que tornam essa colaboração duradoura e produtiva”, contou.

“No início de 2025, passamos a oferecer Oficinas de Ideação para as instituições de ensino que fazem parte do ecossistema de inovação, e a primeira instituição a solicitar a atividade foi a UFMS. A oficina foi realizada com o curso de Sistemas de Informação, contando com a participação de 42 estudantes, a partir dos quais surgiram nove ideias de negócio. Durante a atividade, os participantes conheceram a trilha da inovação de Ponta Porã e os principais ambientes de inovação do município, entre eles o PTIn, apresentado como um importante mecanismo de apoio para transformar ideias em negócios reais. A participação dos estudantes foi bastante ativa e demonstrou grande interesse no desenvolvimento dos projetos”, falou Karla.

Para ela, o sucesso da parceria se materializou em um resultado concreto. “Cinco dos nove projetos idealizados foram inscritos no edital de pré-incubação, o que representa aproximadamente 55,6% de aproveitamento, evidenciando o alto nível de engajamento dos estudantes a partir de uma única oficina e mostrando como a metodologia de ideação contribuiu diretamente para prepará-los para o processo seletivo”, afirmou. “O fato de cinco dos nove projetos idealizados terem sido inscritos no edital demonstra não apenas o potencial criativo dos participantes, mas também a capacidade de organização e execução das equipes, evidenciando um grupo comprometido com a inovação”.

“Os estudantes que participaram da oficina e do edital demonstraram grande dedicação, criatividade e espírito empreendedor. Muitos apresentaram soluções inovadoras e alinhadas às necessidades do território, e alguns deles já atuam como empresários, o que reforça o nível de maturidade das ideias desenvolvidas. A participação desses estudantes no Ypy Porã, do Parque Tecnológico Internacional de Ponta Porã, mostra o quanto estão engajados em transformar suas ideias em projetos concretos e úteis para a região”, finalizou.

Texto: Vanessa Amin

Fotos: Leonardo Souza / Sebrae