Relatório produzido na UFMS aponta melhoria na qualidade do ar na Capital

Relatório aponta que a qualidade do ar em Campo Grande em 2025 apresentou a melhor condição desde o início do monitoramento em 2021. Os pesquisadores relataram apenas quatro dias de poluição na condição moderada, esta que já começa afetar idosos e crianças. Os dados foram coletados por meio da Estação de Monitoramento da Qualidade do Ar (EMQar) que faz parte de uma parceria entre a UFMS e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O professor do Instituto de Física e coordenador do projeto QualiAr, Widinei Alves Fernandes explica que os resultados satisfatórios foi devido a melhor distribuição de chuvas ao longo do ano. “Em 2025 nós tivemos só na estação [de monitoramento], uma chuva acumulada de 1.977 milímetros. Já em 2024, foram apenas 947 milímetros. No dia 15 de abril de 2025, já tinha acumulado toda a chuva de 2024. Então, as chuvas em 2025 foram bem distribuídas e refletiu também na diminuição dos focos de queimada, que é o principal fator que impacta a qualidade do ar em Campo Grande, mesmo sendo de queimadas urbanas em Mato Grosso do Sul e de outras regiões que nos alcançam”.

Fonte: Relatório de Monitoramento da Qualidade do Ar em Campo Grande

Os pesquisadores realizam a qualificação do ar de acordo com o Índice de Qualidade do Ar desenvolvido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente que classifica a qualidade em boa, moderada, ruim, muito ruim e péssima. Para efeitos de comparação, no ano de 2024, foram registrados 51 dias de poluição com 28 dias na condição moderada, 12 dias na condição ruim, 10 dias na condição muito ruim e um dia na condição péssima. Em 2025, foram registrados cerca de 1.800 focos de calor, contra mais de 13 mil focos em 2024.

O monitoramento da qualidade do ar é usado para medir os níveis de concentração de um grupo de poluentes universalmente conhecidos como indicadores. Esses poluentes são escolhidos devido à sua maior frequência de ocorrência na atmosfera e as consequências negativas que causam às pessoas, animais e ao meio ambiente. O material particulado (MP10, MP2,5) é o principal poluente atmosférico utilizado como parâmetro para a análise e caracterização da qualidade do ar devido à frequência de ocorrência e aos prejuízos. Entretanto outros poluentes foram monitorados como dióxido de nitrogênio (NO2) e o ozônio (O3).

“Quando eu olho o material particulado MP2,5 que a média anual pela Organização Mundial de Saúde deve ser 5, no ano de 2025, o nosso valor ficou em 5,01 que está dentro do padrão atual, por isso é importante monitorar para que a gente tenha uma avaliação e um entendimento de quais são os fatores que impactam e também para que possa subsidiar o poder público na tomada de decisão com essas informações”, conclui o professor.

Texto: Bianka Macário
Foto: Arquivo Agecom