Os visitantes não precisam nem de foguete, nem de traje especial para conhecer o sistema solar
Do céu de Campo Grande ao universo profundo, em poucos minutos. Essa é a experiência proposta pelo Planetário da UFMS durante a COP15 POP, onde visitantes podem mergulhar em projeções imersivas e percorrer o sistema solar como se estivessem em uma jornada espacial.
De acordo com o professor do Instituto de Física (Infi) Além-Mar Gonçalves, com um domo de projeção e simulações astronômicas em tempo real, o espaço permite explorar o universo, revisitar o céu do passado e até antecipar fenômenos futuros — tudo em uma experiência acessível e gratuita. “A participação é por adesão, não precisa de agendamento. Cada sessão comporta 35 pessoas. Estamos realizando sessões abertas ao público no período da manhã e a tarde ao longo de toda a semana da COP”, explica.
As sessões duram 12 minutos, com início às 8h30, 9h30, 10h30, 14h30 e 16h30. No sábado, 28, serão realizadas sessões apenas no período matutino.
“O espaço conta com um domo de projeção imersivo, com cerca de sete metros de diâmetro. Ele pode ser utilizado tanto para sessões como as que estamos apresentando, sobre o sistema solar, quanto para a simulação do céu noturno e de fenômenos astronômicos”, destaca o professor. “Utilizamos um software chamado Stellarium, que permite reproduzir o céu observado de qualquer lugar do planeta, em qualquer data e intervalo de tempo. Com ele, conseguimos prever onde um planeta estará no futuro e também visualizar onde ele esteve no passado, além de simular eventos que não puderam ser observados, como eclipses encobertos por nuvens”, detalha.
Além da imagem, o Planetário também possui um sistema especial de som e poltronas reclináveis. “O espaço também conta com um sistema de som 5.1, que proporciona não apenas uma experiência visual, mas também auditiva, com percepção diferenciada do som conforme a posição dentro do ambiente”, fala. “Além das sessões abertas ao público, o espaço também poderá ser utilizado para aulas. Na licenciatura em Física, por exemplo, há disciplinas de introdução à astronomia que podem aproveitar essa estrutura. Uma coisa é ver na tela do computador, outra é ter uma experiência imersiva como essa. Outros professores também já demonstram interesse em utilizar o espaço para enriquecer suas atividades”, salienta Além-Mar.
Segundo ele, está sendo finalizado um regulamento de uso e será publicado um edital para que interessados apresentem propostas. “O espaço não é exclusivo da astronomia, é um sistema de projeção que permite diferentes aplicações. É possível, por exemplo, produzir vídeos em 360 graus e projetá-los aqui dentro, criando experiências imersivas, inclusive para conteúdos institucionais ou documentais”, reforça.
“O projeto foi financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, e é importante reconhecer esse apoio. A parte arquitetônica foi desenvolvida em parceria com estudantes da universidade, junto com professores, e a execução da obra foi realizada pela própria instituição. A obra começou em outubro do ano passado e agora estamos entregando o espaço para a sociedade”, comenta o professor do Infi.
Para a estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMS de Naviraí, Thayllana Bittencourt, foi importante para conhecer mais sobre astronomia e também sobre a parte estrutural da edificação. “Viemos visitar a COP15. Gostamos muito da apresentação, o vídeo foi intuitivo e dinâmico. É uma forma diferente de assistir, pois a projeção é feita de cima para que possamos imergir na visualização dos planetas. Como arquiteta, foi interessante perceber a disposição do teto, do domo e das poltronas. Foi muito bacana”, comentou.
O projeto
A iniciativa do Planetário é um sonho antigo da Universidade. “É um sonho compartilhado por professores do Infi, como por exemplo o professor Hamilton Corrêa, que desde 2008 trabalha com divulgação de astronomia, e é um dos fundadores do Clube de Astronomia Carl Sagan, que fica na Casa da Ciência e Cultura de Campo Grande. Além do Infi, a própria gestão sempre viu com entusiasmo a possibilidade de ter um planetário como um instrumento de divulgação científica para o Estado de Mato Grosso do Sul”, explicou Gonçalves.
O professor da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo e Geografia, Andrés Cheung orientou a egressa Mislaine Hermann na elaboração do projeto civil do Planetário da UFMS. Por meio do projeto de extensão Engenharia para todos, a egressa desenvolveu a planta da base do planetário e os projetos complementares. “Como na época eu estava cursando a disciplina de Projetos de Edifícios e tinha tido mais contato com essa área, aceitei o desafio”, comentou Mislaine. Ela explicou que durante o desenvolvimento do projeto, foram consideradas as solicitações feitas pela equipe da geodésica em relação à base, que deveria ser projetada de forma a garantir que o domo se encaixasse perfeitamente, além de garantir a segurança da estrutura para os usuários.
Mislaine ressaltou que também se levou em conta que o planetário não deveria ser de grandes proporções, para evitar grandes interferências no local de implantação, que é o Bosque Central da UFMS. “Inicialmente, a ideia era inserir o planetário de maneira que ele se integrasse discretamente à topografia do ambiente, mantendo uma continuidade com a paisagem. No entanto, a escavação do solo geraria custos adicionais elevados e demandaria um tempo maior de execução. Por isso, optamos por um local com menor aclive dentro do bosque, adotando uma arquitetura simples e cores neutras. Além disso, a escolha do local pelos professores visou atrair mais visitantes ao local e ao Parque da Ciência, promovendo uma integração entre os dois ambientes”, detalhou.
“A base para a Geodésica foi relativamente simples de criar. Com o auxílio do professor Andrés, que orientou no arranjo estrutural, a elaboração da estrutura se tornou mais tranquila. O que mais se destaca no domo, no entanto, é o seu significado para a Universidade. Ele representa uma inovação que não é comum em todas as instituições de ensino, oferecendo à comunidade acadêmica e externa a oportunidade de visitar o local, obter novos conhecimentos e tornar a Universidade mais acessível a todos, promovendo a troca de saberes”, concluiu.
Texto e fotos: Vanessa Amin
