Durante a 30ª Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre as Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), a reitora Camila Ítavo compôs a mesa Espécies Migratórias e Mudança do Clima. A programação promovida nesta segunda-feira, 17, no Pavilhão Brasil, na zona azul, focou na realização da 15ª Reunião da Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), de 23 a 29 de março de 2026, em Campo Grande. O painel foi transmitido ao vivo no canal da TV UFMS.
O evento paralelo foi organizado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), juntamente com o Secretariado da CMS, com intuito de destacar a interseção entre mudança do clima e biodiversidade, sob as perspectivas científica e de políticas públicas. A COP15 da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias reunirá representantes de governos, comunidades científicas, povos indígenas, organizações não governamentais e sociedade civil dos países-membros para deliberar sobre políticas e compromissos globais voltados à conservação de espécies migratórias e seus habitats.
Em seu discurso, tanto como reitora da UFMS, quanto como vice-presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, Camila Ítavo pontuou que é orgulho e uma honra receber o evento no coração do Brasil, o Pantanal. “Quero dizer que as universidades são esse local de conexão do ensino, da pesquisa, da extensão para o fortalecimento das políticas públicas para o cuidado, nesse caso, das espécies migratórias, da conservação, mas, sobremaneira, para esse desenvolvimento sustentável que nós buscamos em nosso país. Hoje, Mato Grosso do Sul é um estado singular, que possui 70% do Pantanal, a maior planície alagada do planeta, com uma biodiversidade incrível, com a convivência com sistemas de produção, com a presença do homem pantaneiro, com a sua cultura pantaneira. Quando a gente fala de espécies migratórias, a gente não olha somente as espécies, mas o homem que vive no Pantanal, toda a produção que ocorre, a sua cultura, a sua vida. Essas características que temos no nosso estado e na nossa Universidade, com cursos na área de Biologia, Ecologia e Conservação, também na área de produção animal, nós traz essa grande alegria”, afirmou.
“Nós acreditamos que a conservação das espécies migratórias e o enfrentamento das mudanças climáticas não serão alcançados sem a ciência, sem a tecnologia, sem o entendimento e sem políticas públicas realmente embasadas no desenvolvimento ambiental e no desenvolvimento de todas as pessoas. Por isso, insistimos nessa relevância e [quero] dizer que colaborar com esse tema é fundamental para todas as universidades”, complementou a reitora. “Tenho orgulho de informar que nós já estamos divulgando a COP15, trabalhando com as comunidades, com as escolas, com as demais universidades de Mato Grosso do Sul, as universidades do Centro-Oeste brasileiro e também as demais universidades do Brasil nesse tema que é tão importante, caro e especial para todos nós”, concluiu.
A secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita Mesquita, enfatizou a importância de promover debates sobre a conservação das espécies migratórias com a presença de representantes de diversos países. “Faz total sentido trazermos a discussão para esta arena, onde todos estão falando do impacto das consequências das mudanças climáticas e as espécies migratórias podem ser as mais vulneráveis, porque elas precisam de um meio ambiente estável para o seu maravilhoso fenômeno natural da migração. No ano que vem, ao final de março, nós vamos receber a Convenção das Espécies Migratórias no Brasil, em Campo Grande, no Pantanal. O Pantanal é um dos nossos biomas mais vulneráveis à mudança climática. O que nós esperamos é que, de Belém até Campo Grande, nós tenhamos uma trajetória de proteção e respeito para discutir o que podemos em termos de melhorar a proteção dessas áreas. A CMS trata da diversidade de grupos e deve engajar diferentes setores na discussão, é muito importante para os nossos países”, discursou.
“Um ponto que eu acho que foi muito discutido nesta convenção e que espero que possamos continuar na CMS é o impacto da infraestrutura nas espécies, na natureza. No caso das espécies migratórias, muito do que nós consideramos como ‘soluções verdes’ trazem, ao mesmo tempo, grandes desafios, como os moinhos de vento (energia eólica), barragens hidroelétricas, coisas que nós sabemos que podemos fazer melhor, nós sabemos que podemos aprimorar e nós devemos discutir isso. Começamos aqui, com a necessidade de adotar essas formas de energia, mas temos que continuar a discussão na CMS, garantindo que os modelos que adotamos sejam os melhores para a nossa biodiversidade também. Eles serão bons a economia, eles serão bons para a mudança climática e serão bons para as nossas sociedades, mas eles também têm que ser bons para a natureza porque nós sabemos que vivemos em um único mundo”, reforçou Rita.
Participaram também do painel o ministro da Ecologia, Proteção Ambiental e Mudanças Climáticas da República do Uzbequistão, Aziz Abduhakimov; o diretor de programa da Secretaria-Executiva do MMA, André Luiz Campos de Andrade; o presidente do Instituto Chico Mendes, Mauro Pires; e o diplomata Bruno Abaurre, representando o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Maurício Lyrio.
Texto: Thalia Zortéa e Mylena Rocha
Fotos: Geylson Paiva / ICMBio
