Projeto leva instrumentos musicais a estudantes em vulnerabilidade social e amplia inclusão

Duzentos estudantes em situação de vulnerabilidade social passam a ter acesso, gratuito, ao ensino de música por meio do Projeto de Ensino Musical Madeiras Dedilhadas, desenvolvido pela Universidade. A entrega simbólica dos instrumentos foi realizada no Anfiteatro Luís Felipe de Oliveira, na UFMS de Campo Grande, nesta sexta-feira, 27, marcando o início de uma nova etapa das atividades, que atendem dez instituições parceiras em diferentes regiões da cidade.

A pró-reitora de Extensão, Cultura e Esporte da UFMS, Lia Brambilla, destaca que o projeto fortalece vínculos entre a Universidade e a comunidade. “Essas crianças terão suas línguas e culturas respeitadas. A música é um caminho para integrar, valorizar e mostrar que todas as comunidades têm cultura e história. Projetos como esse ampliam a cidadania e aproximam a Universidade da sociedade”, pontua.

De acordo com o coordenador da Escola de Música da UFMS, professor Marcelo Fernandes, o acesso ao instrumento musical representa um fator decisivo para a permanência dos estudantes no aprendizado. Dou aula há 35 anos e sei que a principal barreira é o instrumento. Nem sempre as famílias conseguem comprar um violão. Ter esses instrumentos disponíveis para as crianças é uma bênção”, afirma.

O professor ressalta ainda que o apoio financeiro da bancada federal possibilita ampliar o alcance das ações extensionistas da Universidade. “Temos estrutura, professores e estudantes, mas não conseguimos chegar a todos os cantos da cidade sozinhos. Com a emenda parlamentar, conseguimos remunerar bolsistas, custear deslocamentos e levar a Universidade até essas 200 crianças e suas famílias. Ao longo do ano, elas também virão ao nosso espaço e serão acolhidas pela instituição”, ressalta.

Viabilizado por emenda parlamentar do deputado federal Vander Loubet, o projeto completou um ano com foco na formação musical associada à inclusão social, ao fortalecimento da cidadania e à ampliação do acesso à cultura. Além das aulas de música, os participantes contarão com acompanhamento psicológico, com atendimento destinado a crianças e adolescentes que necessitem de suporte.

Representando a Aldeia Urbana Darcy Ribeiro, localizada no bairro Jardim Noroeste, Itamar Jorge Pereira avalia que a iniciativa amplia oportunidades para crianças indígenas. “Para a nossa comunidade, especialmente para as crianças, é muito importante. Teremos músicas traduzidas para a língua terena, o que fortalece nossa identidade”, destaca.

Egresso do curso de Música da UFMS, Hudson de Souza Campos atuará como professor de flauta doce e ressalta os impactos formativos da iniciativa. “As aulas permitem acesso ao conhecimento musical, desenvolvem coordenação motora, percepção artística e ajudam no crescimento pessoal de cada aluno”, explica.

Ao longo do ano, serão produzidos arranjos que dialogam com a tradição musical ocidental e o patrimônio cultural de Mato Grosso do Sul, incluindo repertórios de povos originários, quilombolas e comunidades populares. Ao final do ciclo, estão previstos concertos e visitas a espaços culturais, ampliando o contato dos estudantes com diferentes referências artísticas e reforçando o caráter inclusivo da proposta.

Texto: Karolyne Peralta