UFMS de Campo Grande é selecionada para implantação da Célula BIM

Uso do Building Information Modelling (BIM) torna possível modelar digitalmente e realizar diversos tipos de análises e simulações

A UFMS foi a instituição selecionada para implantação da Célula BIM na região Centro-Oeste. A proposta da Universidade ficou em primeiro lugar no processo seletivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e foi elaborada pelo curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo e Geografia (Faeng).

“A conquista pode ser atribuída à qualidade técnica da proposta apresentada pelo curso e coordenada pela professora Mayara Dias e ao alinhamento institucional com as diretrizes do edital e da Estratégia BIM BR. A UFMS apresentou uma proposta bem fundamentada, coerente e alinhada às demandas regionais, demonstrando maturidade institucional e capacidade de execução. O resultado no edital evidencia que a Universidade está preparada para assumir um papel de protagonismo regional na disseminação do BIM, reforçando sua posição como referência acadêmica e tecnológica no Centro-Oeste”, destaca o diretor da Faeng, Fábio Gonçalves.

BIM ou Modelagem da Informação da Construção é o conjunto integrado de processos e tecnologias que permite criar, utilizar, atualizar e compartilhar, colaborativamente, modelos digitais de uma construção, de forma a servir potencialmente a todos os participantes do empreendimento durante o ciclo de vida da construção. O seu uso antecipa eventuais problemas que não eram possíveis de serem identificados no método tradicional de elaboração de projetos, além de diminuir tempo de execução de obra.

Para a implantação da Célula BIM, a UFMS como instituição selecionada receberá consultoria, treinamentos, bolsas de estudos e equipamentos para a instalação de um laboratório, sob coordenação geral da professora Mayara Dias. Ela desenvolve pesquisas na área de processos digitais de projeto, com ênfase em BIM, e coordena, juntamente com os professores Gilfranco Alves e Juliana Trujillo, o grupo de pesquisa Algo+ritmo.

“A motivação para participar do edital Célula BIM Centro-Oeste surgiu do interesse em fortalecer a implementação do BIM como ferramenta estratégica para qualificar o ensino, a pesquisa e a prática profissional. Vimos no edital uma oportunidade de capacitação técnica, integração institucional e alinhamento às diretrizes nacionais de disseminação do BIM, no contexto regional do Centro-Oeste. Além disso, a iniciativa contribui para a inovação nos processos de projeto, planejamento e gestão, ampliando o impacto acadêmico e profissional das ações desenvolvidas pela equipe”, conta Mayara.

A implantação irá contribuir para o ensino, pesquisa e extensão. “O impacto será direto na inserção do BIM em disciplinas, promovendo uma formação mais alinhada à realidade profissional, colaborativa e interdisciplinar. Hoje, o BIM é exigência em escritórios de arquitetura e engenharia, construtoras e órgãos públicos. Dá para resumir assim: quem se forma hoje sem BIM sai em desvantagem profissional amanhã e a Faeng sai na frente na qualidade do ensino”, ressalta o diretor.

“A Célula BIM possibilitará a atualização curricular com a inserção progressiva do BIM nas disciplinas (projeto, planejamento, orçamento, gestão e tecnologia da construção); o desenvolvimento de competências técnicas e colaborativas, como trabalho interdisciplinar, coordenação de projetos e uso de modelos digitais; a aproximação entre teoria e prática, por meio de estudos de caso, simulações e projetos integradores em ambiente BIM; melhor preparação dos estudantes para o mercado de trabalho, cada vez mais orientado por processos digitais e colaborativos”, fala Mayara.

“Já na área da extensão, a Célula BIM pode permitir a oferta de cursos, oficinas e capacitações para a comunidade acadêmica e externa (profissionais, órgãos públicos e empresas); apoio a prefeituras e instituições públicas em projetos piloto, contribuindo para a difusão do BIM na gestão pública; integração com o setor produtivo regional, fortalecendo a transferência de conhecimento e tecnologia; e ampliação do papel social da Universidade na inovação e qualificação profissional”, conta a professora. A contribuição também será importante na área da pesquisa por meio do desenvolvimento de pesquisas aplicadas e a produção de artigos científicos, trabalhos de conclusão de curso, dissertações e produtos tecnológicos, além da captação de recursos e a participação em redes de pesquisa nacionais e regionais.

Mayara conta ainda que a célula pode beneficiar todos os cursos da Faeng e também, de forma complementar, os demais cursos da UFMS. “Recentemente, o curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo passou por um importante processo de inclusão de uma disciplina específica de BIM na sua estrutura curricular. Essa inserção marca um avanço estratégico na formação dos estudantes, alinhando o curso às demandas contemporâneas do mercado profissional e às diretrizes da Estratégia BIM BR. Além disso, a estruturação do Laboratório da Célula BIM não é apenas um ganho para a graduação, mas representa um potencial transformador para a pós-graduação stricto sensu da UFMS, especialmente para os cursos de Mestrado em Arquitetura e Urbanismo e Mestrado em Eficiência Energética e Sustentabilidade”, diz a professora.

“O laboratório fornecerá um ambiente diferenciado de simulação, modelagem e análise digital, que permitirá aos mestrandos: desenvolver pesquisas aplicadas em BIM; testar metodologias de integração multidisciplinar; relacionar projeto arquitetônico com desempenho técnico, construtivo e colaborativo. O laboratório atuará como um laboratório didático e investigativo que aproxima a pesquisa acadêmica das práticas profissionais”, revela a docente. “A Célula BIM amplia significativamente as possibilidades de pesquisa aplicada, favorecendo o desenvolvimento de produções acadêmicas e tecnológicas. BIM não é só ensinar software. É ensinar uma nova forma de pensar, projetar, construir e gerir. Quanto à extensão, a iniciativa potencializa a atuação da Universidade junto à sociedade, contribuindo para a difusão do BIM na região Centro-Oeste. Os projetos de extensão são especialmente importantes porque conectam conhecimento acadêmico, impacto social e prática profissional real”, acrescenta o diretor da Faeng.

Para Mayara, a implantação será um polo de conhecimento e tecnologia que não só fortalece a formação de pós-graduandos, mas também coloca os programas de pós-graduação em conexão direta com as demandas contemporâneas de pesquisa, prática profissional e integração inter e transdisciplinar. Esse processo deve ocorrer de forma gradual e o tempo estimado é de nove meses. “Os próximos passos consistem em reuniões de apresentação e de alinhamento com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; consultorias para definição de plano de trabalho, bem como na organização interna da equipe participante da Célula BIM Centro Oeste, formada por docentes, estudantes de graduação e pós-graduação e ex-alunos da UFMS”, esclarece.

A professora também participa da rede Célula BIM Nacional por meio de reuniões técnicas. “Isso é fundamental para ampliar a troca de informações, conhecer práticas e discutir estratégias com professores e instituições de diferentes regiões do país que estão em estágios variados de implantação e maturidade em BIM. As impressões decorrentes dessa participação foram bastante positivas e realistas. Ficou evidente que a Célula BIM funciona como um ambiente estruturante, que organiza e potencializa iniciativas, além de gerar impactos consistentes na formação dos estudantes, na produção científica e na aproximação com o setor público e produtivo”, relata.

Saiba mais

A Célula BIM Construa Brasil é formada por um grupo de professores e estudantes de graduação e/ou pós-graduação, vinculados aos cursos de Engenharia Civil e/ou Arquitetura e Urbanismo de instituições de ensino envolvidas na elaboração de um plano para a Implementação do BIM na matriz curricular, com a utilização de um protocolo desenvolvido no âmbito do projeto.

Em seu terceiro ciclo, o projeto busca ampliar a implantação de Células BIM em instituições públicas de ensino superior, em especial na região Centro-Oeste, para o atendimento à necessidade de regionalização e apoio à inserção, desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias relacionadas ao BIM na formação profissional.

O projeto Construa Brasil está alinhado à Estratégia BIM BR, publicada no dia 22 de janeiro de 2024, através do Decreto Nº 11.888, que institui a estratégia para promover a transformação na indústria da construção.

“Essa conquista representa um marco estratégico para a Faeng, pois consolida o compromisso institucional com a inovação, a transformação digital e a qualificação da formação acadêmica. A nossa aprovação no edital reconhece a capacidade técnica da instituição e o trabalho de seus docentes, além de posicionar a Faculdade em consonância com as diretrizes nacionais de disseminação do BIM e com as demandas contemporâneas do setor da construção”, finaliza Gonçalves.

Texto: Vanessa Amin

Fotos: Vanessa Amin/BIM