Marco da memória esportiva de Mato Grosso do Sul, o Morenão se prepara para um novo ciclo. A cessão abre caminho para a revitalização e a devolução do espaço à população.
A UFMS e o Governo do Estado assinaram, no dia 31 de março, o termo de cessão do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão. Com a parceria, serão investidos mais de R$ 16 milhões até 2028 em obras emergenciais voltadas à segurança estrutural, incluindo rampas e escadas de acesso, instalações elétricas e adequações às normas vigentes de prevenção contra incêndio e pânico.
“Celebramos hoje a coragem, a seriedade e a responsabilidade dos gestores que decidiram pensar no coletivo e no futuro. A estrutura do estádio será revitalizada e devolvida à população em toda a sua magnitude, para que possamos vê-lo novamente com os olhos dos nossos pais e avós, que frequentavam o Morenão para assistir aos jogos”, afirmou a reitora Camila Ítavo.
O governador Eduardo Riedel definiu o momento como extremamente relevante para o Estado. “Hoje, ocorreu a transferência do Morenão ao Estado. Vamos realizar as obras e ações sob nossa responsabilidade, com investimentos diretos no estádio em curto prazo, para viabilizar o uso e a retomada das atividades”, destacou. A assinatura contou com a presença de autoridades, empresários e representantes de instituições esportivas, e foi realizada no auditório da Governadoria.
A expectativa é que as intervenções iniciais restabeleçam as condições de segurança e o funcionamento básico do estádio, permitindo a retomada das atividades em 2027, especialmente dos campeonatos de futebol. Por meio da parceria com a UFMS, o Estado passará a administrar os 84 mil metros quadrados correspondentes ao estádio e à área de estacionamento.
Para a reitora a parceria firmada representa a concretização de um desejo antigo. “A concessão já estava prevista em nosso plano de trabalho durante a consulta para a Reitoria da Universidade. Após a sinalização positiva do Governo do Estado, trabalhamos internamente para viabilizar a cessão, aprovada pelo Conselho Universitário em dezembro passado. Paralelamente, atuamos em conjunto com o governo na elaboração dos projetos e na garantia da segurança jurídica do processo”, destacou a reitora.
Ela ressaltou que o processo envolveu desafios estruturais. “Foi necessário desocupar áreas, mantendo, ao mesmo tempo, espaços de ciência, tecnologia e inovação. Estão localizados no complexo o Museu de Ciência e Tecnologia, o Museu de Arqueologia — que ficou 18 anos fora da Universidade —, o Parque da Ciência, o Planetário e o Autocine, atualmente em processo de revitalização”, explicou.
A reitora destacou ainda que o principal entrave para a Universidade em relação ao estádio sempre foi orçamentário. “A UFMS não recebe recursos específicos para investimento no estádio. Desde a sua construção, quando ainda éramos Universidade Estadual de Mato Grosso, a instituição se transformou. Hoje, estamos presentes em dez municípios, com bases no Pantanal e em Bonito, além de um complexo de clínicas e hospitais. Nosso planejamento estratégico não contempla a gestão de um equipamento da dimensão do Morenão”, afirmou.
“Com esse novo modelo, que integra o estádio como arena esportiva e espaço de popularização da ciência, devolvemos à sociedade equipamentos importantes para a qualidade de vida e para a formação cidadã. Precisamos concentrar esforços na ciência, tecnologia, ensino de qualidade e inovação. A UFMS caminha para o futuro, e agradecemos ao Governo do Estado pela parceria que torna possível a realização de um sonho coletivo”, concluiu.
Futebol
O Governo também contará com o apoio da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul para a manutenção do gramado, vestiários, pista de atletismo e sistema de irrigação, além da possibilidade de captação de recursos junto à Confederação Brasileira de Futebol.
Segundo Riedel, este é o ponto de partida para um futuro promissor do Morenão como palco histórico. Inaugurado em 1971, o estádio já foi um dos principais do Centro-Oeste, com capacidade superior a 40 mil torcedores, e recebeu importantes partidas do futebol nacional ao longo das décadas.
O secretário estadual de Turismo, Esporte e Cultura, Marcelo Miranda, explicou que o plano para o Morenão está estruturado em três etapas: “A primeira foi a assinatura da cessão do estádio. Em seguida, há as obras que permitirão o retorno das atividades no próximo ano. Por fim, o estudo de viabilidade e a concessão do espaço”.
O governador detalhou que, após a reestruturação completa, o objetivo é conceder o estádio à iniciativa privada até 2028. “Teremos um projeto de viabilidade que definirá as responsabilidades da empresa concessionária, que poderá explorar o espaço com futebol, eventos e atrações culturais por um período de até 35 anos”, explicou.
Além do projeto de revitalização do Morenão, foram apresentadas estratégias do Governo para modernizar o futebol sul-mato-grossense, com investimentos na formação de base, desenvolvimento de novos talentos, competições e fortalecimento do futebol feminino.
Texto: Vanessa Amin, com informações e fotos da Comunicação do Governo de MS
