Recepção Institucional para estudantes indígenas apresenta ações de apoio e permanência

Estudantes indígenas que ingressaram nos cursos de graduação em 2026 participaram da Recepção Institucional para conhecer ações de apoio, integração e permanência oferecidas pela Universidade. O encontro reuniu calouros, veteranos, gestores e técnicos no auditório Marçal de Souza Tupã-Y e marcou o acolhimento de 120 novos estudantes vindos de diferentes aldeias de Mato Grosso do Sul e de outras regiões do país.

Mesmo em missão internacional em Londres, a reitora Camila Ítavo participou da acolhida aos estudantes por meio de uma mensagem de boas-vindas.

“Estamos construindo, de forma coletiva, uma Universidade cada vez mais comprometida com o ingresso, a permanência e o sucesso de nossos estudantes indígenas. A partir de hoje, vocês levam no coração a marca Sou UFMS. Desejo a todos um excelente ano letivo”, declarou a reitora.

Já o vice-reitor da UFMS, Albert Schiaveto, que representou a reitora Camila Ítavo, destacou que iniciativas de acolhimento são importantes para fortalecer a integração entre os estudantes indígenas e contribuir para a permanência na Universidade. “Estamos iniciando o semestre letivo e é muito importante termos também uma recepção especial para os estudantes indígenas. Essa já é uma tradição organizada pelos próprios estudantes e demonstra a união da comunidade indígena dentro da Universidade. Esse apoio entre eles, de um estudante ajudando o outro, é fundamental para que todos se sintam acolhidos e consigam seguir com sucesso na graduação”, afirmou.

O vice-reitor também ressaltou o crescimento da presença indígena na instituição. Segundo ele, em 2025 a UFMS contou com cerca de 1,1 mil estudantes indígenas matriculados na graduação e na pós-graduação. “Esse número mostra o crescimento da presença indígena na Universidade e reforça nosso compromisso com o acesso e a permanência. Muitos desses estudantes são os primeiros da família a chegar ao ensino superior e acabam incentivando outros jovens nas aldeias a buscarem essa oportunidade. Eles retornam às comunidades e mostram que é possível estudar na UFMS, participar de projetos de ensino, pesquisa, extensão e inovação e construir novas trajetórias”, acrescentou.

A pró-reitora de Cidadania e Sustentabilidade, Vivina Sol, ressaltou a diversidade cultural presente na Universidade e a importância de políticas institucionais voltadas aos povos indígenas. Ela destacou que diferentes etnias, como Terena, Kadiwéu e Guarani, integram a comunidade acadêmica e contribuem para enriquecer o ambiente universitário. “É na diferença que crescemos. Essa diversidade fortalece a Universidade e se reflete nas políticas e programas que desenvolvemos, entre eles o UFMS Indígena. A pró-reitoria atua de forma integrada com outras áreas para ampliar ações de apoio e garantir que os estudantes tenham condições de permanecer e concluir seus cursos”, afirmou.

O evento contou com a participação de Fernando Souza e do cacique Josias Jordão Ramires, representantes da Subsecretaria de Políticas Públicas de Mato Grosso do Sul, de Anne Caroline Silveira, corregedora da UFMS, e de Cleverson Rodrigues, da Faculdade de Ciências Humanas (Fach).

O cacique Josias Jordão Ramires incentivou os novos acadêmicos a valorizarem a formação universitária e levarem o conhecimento adquirido para suas comunidades. “A educação transforma o pensamento e a realidade. No caminho surgem desafios, obstáculos e muitas vezes o preconceito, mas a superação depende de cada um de nós. Ver o número de acadêmicos indígenas crescer na UFMS é motivo de alegria e mostra que estamos avançando”, disse.

A coordenadora da Rede Saberes Indígenas na UFMS, Edileuza Costa, explicou que a recepção é organizada anualmente para fortalecer os vínculos entre os estudantes e apresentar programas de apoio disponíveis. “Sair do território para estudar em outra cidade não é uma decisão fácil. Por isso buscamos criar um ambiente em que os estudantes se sintam acolhidos, como em uma segunda família. Também apresentamos os auxílios e bolsas disponíveis para que possam acessar esses programas e permanecer na Universidade com mais tranquilidade”, explicou.

Entre os calouros está a estudante de Medicina Veterinária Beatriz Zandoná Pereira, da Aldeia Icatu, localizada em Braúna, interior de São Paulo. Primeira pessoa da família a ingressar em uma universidade federal, ela afirma que a mudança de cidade representa a realização de um sonho. “Foi uma decisão difícil porque estou longe da minha família e tudo é muito novo para mim. São muitas mudanças, morar sozinha e enfrentar os medos, mas é algo que eu sempre quis. Quando cheguei e vi o grupo de estudantes indígenas, percebi que existe uma rede de apoio e isso me deixou ainda mais animada para viver essa experiência”, relatou.

O estudante Yuri Stanley da Silva, aprovado no curso de Sistemas de Informação e morador da Aldeia Brejão, em Nioaque, também destacou o impacto da presença indígena na Universidade. “É uma experiência única, porque quando um indígena entra em uma universidade federal ele mostra que qualquer pessoa pode alcançar esse objetivo. Muitas vezes a gente cresce achando que esse caminho é distante, mas quando alguém da comunidade consegue, isso motiva outros jovens a tentarem também. Se a pessoa acredita no sonho e tem uma meta, tudo é possível”, afirmou.

Texto: Karolyne Peralta

Fotos: Karolyne Peralta e Carlos Yukio