Pesquisador da UFMS faz esclarecimentos em audiência pública sobre qualidade da água em São Gabriel do Oeste

O professor Giancarlo Lastoria, do Laboratório de Águas Subterrâneas e Áreas Contaminadas (LASAC) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), esteve na sexta-feira (26/5) em São Gabriel do Oeste para participar de uma audiência pública sobre a qualidade da água na cidade. Realizada pela Câmara de Vereadores, a audiência contou ainda com a presença e participação de uma equipe técnica do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) e foi assistida por cerca de 40 pessoas, entre comunidade e representantes de órgãos como a Secretaria Municipal de Saúde, a Cooperativa Cooasgo, a Vigilância Sanitária, a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer), a Fundação Educacional Cristo Rei e também profissionais da imprensa local.

O objetivo foi esclarecer a população sobre os índices e conclusões apresentados em pesquisas de pós-graduação, orientadas pelo professor Lastoria e pela professora Sandra Gabas, que foram erroneamente noticiadas por veículos de imprensa regionais causando preocupação nos cidadãos. A publicação dizia que a população corria risco de vida por contaminações na água, o que foi refutado com a apresentação das análises e índices das pesquisas na Universidade e das análises periódicas realizadas pela SAAE.

O Presidente da Câmara, Valdecir Malacarne, lembrou que enquanto representantes da população os vereadores foram cobrados quanto a um retorno sobre a informação que alarmou os cidadãos. “Agradecemos ao SAAE e ao professor Lastoria por trazerem então as informações corretas para podermos reafirmar junto à população a qualidade da nossa água”, disse.

O presidente do SAAE, Lucio Lagemann, assegurou a qualificação dos envolvidos na audiência, classificando-os como “profissionais de extremo conhecimento técnico, habilitados para responder a todos os anseios da população”.

Audiência

No plenário o professor Giancarlo explicou que a dissertação divulgada tinha como objetivo avaliar a água subterrânea nos aquíferos Cenozóico e Guarani em São Gabriel do Oeste, para subsidiar a gestão integrada. A pesquisa foi realizada numa região da zona rural e dentro de um assentamento, ou seja, não focou a zona urbana. O estudo foi feito principalmente sobre amostras do aquífero Cenozóico, que é um pequeno aquífero mais superficial, que fica acima do conhecido aquífero Guarani.

“A pesquisa trouxe alguns índices acima do indicado apenas para aquele poço e apontou a vulnerabilidade do aquífero Cenozóico em questão à contaminação. Em 2015, quando coletamos novamente amostras para um possível novo estudo acadêmico, pudemos verificar que já não haviam índices acima dos estabelecidos pelas normas de potabilidade da água, o que inclusive fez com que a possível pesquisa não fosse realizada. Verificamos que na zona urbana o aquífero Guarani está mais protegido do Cenozóio, sendo separado dele por uma camada de basalto, um tipo de rocha que funciona como um isolante. A SAAE garante que capta água apenas do aquífero Guarani para a distribuição pública e assim não há porque a população ficar alarmada por conta das nossas pesquisas”, explicou o professor.

Magda Callegaro, responsável pelo controle de qualidade da água do SAAE, reafirmou que o Serviço realiza análises diárias, mensais e semestrais, em cumprimento à legislação de potabilidade, e que desde 2002 não há detecção de valores acima dos permitidos para os metais citados na pesquisa. “Lembrando que garantimos a qualidade da água de distribuição pública, pela qual somos responsáveis. Gastamos em torno de 50 mil reais por ano para fazer essas análises, que são enviadas para laboratórios externos porque no estado não existem laboratórios que realizam todas essas análises. E até agora não temos detectado nada que possa comprometer a qualidade da água nos poços pelos quais somos responsáveis. A população que bebe água do SAAE pode ficar tranquila, não existem esses metais na água”, ressaltou.

Em contribuição à audiência, Cleonoir Faé, responsável pela Vigilância Sanitária no município, também expôs que a instituição faz a contraprova das análises da SAAE, realizando, por sua conta, no mínimo 150 coletas anuais em todos os poços da cidade e enviando para análises no Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) em Campo Grande. “Nunca tivemos problema nenhum com nossa água”, declarou.

O Prefeito da cidade Jeferson Tomazoni também agradeceu a realização da audiência.  “É muito bom recebermos aqui no município o professor Lastoria, termos aqui pessoas com muita capacidade técnica comprometimento e responsabilidade. Toda a nossa equipe e a de vigilância comprovam diariamente a eficiência do nosso tratamento, então a população pode ficar tranquila, isso foi comprovado com os dados, informações e com esse conhecimento disponibilizado. A capacidade técnica dos nossos servidores, todo o trabalho que foi construído e segue sendo construído não podem ser jogados fora por uma informação distorcida. Toda situação tem dois lados, quando ouvimos somente um e não sabemos a informação correta ou o outro lado, a informação pode ser deturpada. É muito importante que a população fique tranquila, nossa água não só é potável, como é de extrema qualidade”, assegurou.

O professor Lastoria retribuiu os agradecimentos reconhecendo o espaço aberto à explanação e distribuiu uma nota, elaborada em conjunto com a Secretaria Especial de Comunicação Social e Científica da UFMS (SECOM), que foi enviada também aos veículos noticiosos esclarecendo as informações. “É muito importante expressarmos o que temos pesquisado, e, como deixei claro, a Universidade nunca trabalhou sem o conhecimento das instituições parceiras, sempre pudemos contar com os órgãos aqui presentes. Continuamos pesquisando a água de São Gabriel do Oeste e também continuamos à disposição, emprestando um pouco do que temos condição de fazer, retribuindo para a comunidade aquilo que foi investido na nossa Instituição”, finalizou.

Após a audiência na Câmara dos Vereadores o professor da UFMS e os demais participantes do debate participaram de um programa ao vivo na Rádio Difusora AM 850, onde puderam esclarecer questionamentos da população. A transmissão do programa feita pelo facebook da rádio foi também replicada pelo facebook da UFMS em tempo real.