Pesquisa nacional avalia atendimento em saúde para a população LGBTI+ com participação da UFMS

A UFMS participa de um projeto multicêntrico nacional voltado à avaliação da atenção em saúde para a população LGBTI+ na Atenção Primária. A iniciativa, intitulada Caminhos para a Equidade: Avaliação da Atenção em Saúde para pessoas LGBTI+ na Atenção Primária, foi aprovada na Chamada Pública Universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e será coordenada pela Universidade Federal de Santa Catarina, com a participação de outras universidades públicas brasileiras: Universidade Federal do Amapá (Unifap), Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade do Estado do Amazonas (UEA). 

Em Mato Grosso do Sul, as atividades serão desenvolvidas na UFMS de Três Lagoas (CPTL), que será um dos cinco municípios sede da pesquisa, abrangendo três regiões do país: Norte, Sul e Centro-Oeste. A UFMS será responsável pela organização do cenário local de coleta de dados, além de contribuir com a análise dos resultados e a construção de um modelo avaliativo sobre a qualidade da atenção ofertada.

A coordenação local do projeto é da professora Hellen Cecilio, do curso de Enfermagem do CPTL, que destaca que, apesar dos avanços sociais, ainda existem lacunas importantes na formação dos profissionais da saúde. Segundo ela, pesquisas já realizadas indicam que muitos cursos da área não abordam de forma consistente as temáticas relacionadas à saúde da população LGBTI+, que acaba refletindo no atendimento prestado nos serviços de saúde. “Quando esse profissional chega ao serviço, muitas vezes ele desconhece as especificidades dessa população, e isso acaba impondo barreiras no acesso”, explica.

A docente explica que a sigla utilizada no projeto segue uma nomenclatura mais recente e reconhecida pela Organização Pan-Americana da Saúde. “Essa sigla é uma que está sendo utilizada mais recentemente e é aceita pela Organização Pan-Americana da Saúde. Por isso, a escolha dessa denominação. Mas isso não quer dizer que alguém vai ficar de fora. Todos estarão incluídos. É apenas uma questão de nome e de facilitar o entendimento não só no Brasil, mas também no exterior”, afirma.

De acordo com a professora, o estudo busca identificar tanto os obstáculos quanto os fatores que facilitam o acesso dessa população aos serviços de saúde. Ela ressalta que o Sistema Único de Saúde prevê a equidade no atendimento, considerando as necessidades específicas de cada pessoa, e que o projeto pretende contribuir justamente nesse sentido. “A proposta é desenvolver um modelo de avaliação da qualidade da atenção, incluindo a participação das pessoas da população LGBTI+, além de profissionais e gestores dos municípios, para formular estratégias que ajudem a minimizar essas barreiras”, afirma.

Em Três Lagoas, a rede de atenção primária será analisada como um estudo de caso dentro do projeto. O município tem papel estratégico por ser sede de uma região de saúde e concentrar atendimentos que alcançam não apenas moradores locais, mas também pessoas de outros municípios e estados, em razão da alta rotatividade populacional ligada à oferta de empregos. Para a professora, esse contexto amplia a relevância dos dados que serão coletados no município.

O projeto teve início em novembro de 2025 e tem previsão de execução até novembro de 2028. Atualmente, a equipe está nos trâmites junto aos comitês de ética, seguindo todos os preceitos necessários para pesquisas com participação de pessoas. A expectativa é que a coleta de dados comece no próximo ano, após essa etapa inicial.

Além do impacto científico, a iniciativa prevê a concessão de bolsas para estudantes de graduação, especialmente dos cursos da área da saúde, como Enfermagem e Medicina, ofertados no CPTL. Os bolsistas irão atuar na coleta e na análise dos dados, contribuindo para a formação acadêmica e para o fortalecimento da pesquisa na UFMS.

A professora destaca ainda que compreender a diversidade que compõe a população LGBTI+ é essencial para qualificar o cuidado. “Ninguém melhor do que quem vive essa realidade para falar sobre suas necessidades e sobre o que espera do serviço de saúde”, conclui.

Texto: Heloísa Garcia