Entre folhas, flores e frutos, trilha possibilita conhecer a riqueza da flora na UFMS de Campo Grande

Em meio à programação da COP15 POP, a UFMS convida o público a desacelerar e olhar com atenção para o que muitas vezes passa despercebido: a riqueza da flora que ocupa seus espaços. Na trilha botânica Borboleta-Monarca, organizada pelo Instituto de Biociências (Inbio), cada passo revela espécies diversas, histórias naturais e a oportunidade de vivenciar a ciência de forma acessível, ao ar livre e para todas as idades.

Os visitantes foram guiados pelo mestrando em Biologia Vegetal e egresso do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas pela UFMS, Daniel Matias Waldow. A trilha tem início na Sala COP15, localizada no Corredor Central, até sexta-feira, 27. No sábado, a atividade parte do Parque da Ciência, sempre às 8h30. Durante o percurso, Daniel apresentou as principais características de diferentes espécies de plantas que habitam, especialmente, áreas próximas ao Inbio. Com duração de cerca de uma hora, os visitantes conhecem grupos como briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas.

“As primeiras formas de vida fotossintetizantes pertencentes ao reino vegetal são as algas. Dentre elas, destacam-se as carófitas, integrantes da família Characeae. Esses organismos representam os primeiros grupos a antecederem plantas mais conhecidas, como as briófitas e as pteridófitas”, explica Daniel. Ele acrescenta que as carófitas dependem da água para sobreviver e se reproduzir. “Sua reprodução ocorre por meio de esporos liberados na água que, ao encontrarem um ambiente propício, germinam e originam uma nova planta. Estima-se que esses organismos povoem ambientes aquáticos há cerca de um bilhão de anos, sendo considerados precursores evolutivos de outros organismos fotossintetizantes”.

“As briófitas representam o primeiro grupo de plantas sem vasos condutores, como os musgos. Diferentemente das plantas vasculares, não possuem estruturas para transportar água e nutrientes, por isso a nutrição ocorre por difusão celular. Elas não apresentam sementes, flores ou frutos e, embora adaptadas ao ambiente terrestre, ainda dependem da água para a reprodução”, explica o mestrando. Outra planta apresentada na trilha é a samambaia. “Ela utiliza o coqueiro como substrato, ou seja, um suporte para se fixar, sem retirar nutrientes que o prejudiquem. As samambaias pertencem ao primeiro grupo de plantas com vasos condutores, responsáveis por transportar água e nutrientes. Diferentemente das briófitas, possuem sistema vascular, mas ainda não produzem flores, frutos ou sementes. Sua reprodução também depende da água”, detalha.

Uma planta bastante utilizada em jardins é a cica (Cycadophyta). “Costuma-se chamá-las de fósseis vivos, pois existiam na época dos dinossauros. No entanto, as espécies atuais passaram por processos evolutivos. Elas são descendentes, mas não idênticas geneticamente às antigas. As plantas precisam se adaptar às mudanças ambientais para sobreviver. As cicas pertencem ao grupo das gimnospermas, caracterizadas pela ausência de flores e frutos, com sementes expostas”, ressalta Daniel.

Outra árvore observada na trilha é o abacateiro. “Ele pertence à família Lauraceae, conhecida por suas propriedades aromáticas. A canela e o louro são exemplos dessa família. Há também o pau-rosa, espécie amazônica que esteve próxima da extinção devido à exploração para a produção de perfumes, como o Chanel nº 5”, comenta. “Na linguagem, essa influência aparece na palavra ‘laureado’, que tem origem no louro, planta utilizada em coroas concedidas a líderes romanos após conquistas”, acrescenta.

Em frente à Biblioteca Central, os visitantes observam espécies de palmeiras. “Este é o buriti, que produz frutos com ranhuras marrons. Já aquele é a bocaiúva. Em algumas palmeiras, os anéis no tronco indicam a idade. Suas raízes são fasciculadas, semelhantes a fios de cabelo que se espalham pelo solo”, explica. Próximo à área de piscicultura, o grupo conhece um bambuzal. “O bambu pertence à família Poaceae, assim como o arroz, o trigo, o milho e a cana-de-açúcar. Uma característica marcante são os nós e entrenós bem definidos no caule”, diz. Ele destaca que a principal diferença entre o bambu e a cana está no interior do caule. “O bambu é oco, enquanto a cana armazena água e açúcar”.

Fora da época de floração, podem passar despercebidos, mas, no meio do ano, os ipês transformam a paisagem da UFMS. “As árvores do gênero Handroanthus apresentam flores em diferentes cores, como roxo, rosa, amarelo e branco. Existe também o ipê-verde, cuja floração é menos comum”, explica. “O ciclo de floração geralmente começa em abril, com pico entre junho e setembro. Antes de florescer, a árvore perde as folhas e direciona energia para a produção das flores. As sementes são aladas, facilitando a dispersão pelo vento”, complementa. Segundo Daniel, as folhas ajudam na identificação das espécies. “Ipês amarelo, rosa, roxo e verde possuem folhas com cinco folíolos. Já o ipê branco apresenta apenas três”, explica.

Próximo aos laboratórios do Inbio, os visitantes observam o urucum. “É uma planta que apresenta diferentes fases ao mesmo tempo: flor, fruto fechado, fruto aberto e seco. Suas sementes são utilizadas para fins alimentícios, medicinais e culturais. Trata-se de uma espécie nativa de grande importância”, destaca. Ao final da trilha, os participantes conhecem o margaridão. “A família das teráceas, que inclui essa planta, é considerada uma das mais recentes, com cerca de 30 milhões de anos. Mesmo assim, isso não significa que seja mais evoluída do que outros grupos, já que todos são adaptados aos seus ambientes”, explica. Ele também esclarece que o que parece ser uma única flor é, na verdade, um conjunto de várias pequenas flores. “As flores centrais possuem estruturas reprodutivas, enquanto as externas, chamadas liguladas, formam a parte que lembra pétalas.”

“Cada grupo tem sua própria trajetória evolutiva, suas adaptações e estratégias de sobrevivência. Não existe um ‘mais evoluído’ ou ‘menos evoluído’, mas organismos que conseguiram se ajustar ao ambiente ao longo do tempo”, finaliza.

Texto e fotos: Vanessa Amin