No início deste mês, a UFMS e o Instituto Estatal da Língua Russa A.S. Pushkin firmaram um protocolo de intenções que deve proporcionar diversas ações conjuntas para cooperação técnico-científica e mobilidade internacional em áreas de atuação e interesse comuns às duas instituições. De acordo com o diretor da Agência de Internacionalização (Aginter) Gustavo Câncio, a parceria foi fruto da participação da UFMS no Fórum de Reitores das universidades do Brics+, realizado em junho de 2025, no Rio de Janeiro. “Essas interlocuções institucionais foram voltadas à ampliação das relações da UFMS com instituições estratégicas da Eurásia e dos Brics, especialmente na área de língua, cultura e cooperação acadêmica internacional. O Instituto Estatal da Língua Russa A.S. Pushkin é referência na promoção de idiomas estrangeiros e na formação de especialistas, o que despertou interesse institucional mútuo. Trata-se, portanto, de uma iniciativa que abre caminho para o desenvolvimento de futuras cooperações acadêmicas e científicas”, conta Gustavo.
Segundo Gustavo, a Federação Russa possui tradição consolidada em diversas áreas científicas e tecnológicas. “O Instituto Pushkin, especificamente, é referência internacional na promoção de línguas estrangeiras e na formação de professores e pesquisadores na área. Essa complementaridade pode fortalecer estudos comparados, formação linguística, interculturalidade, além de abrir portas para cooperações futuras em áreas técnicas e científicas por meio de instrumentos específicos”, fala. “O Protocolo está alinhado ao Plano de Internacionalização da UFMS ao diversificar as parcerias estratégicas em regiões ainda pouco exploradas pela universidade, como o Leste Europeu; fortalecer a internacionalização do ensino, da pesquisa e da extensão; estimular mobilidade acadêmica, projetos conjuntos e intercâmbio cultural; e ampliar a inserção internacional da UFMS em contextos multilíngues e multiculturais”, acrescenta o diretor.
Sobre as áreas de conhecimento prioritárias na cooperação, o diretor afirma que o caráter do protocolo é amplo, mas considerando a natureza do A.S. Pushkin, o destaque é para áreas como linguística e letras; ensino de línguas; estudos culturais e literatura; educação; relações internacionais; projetos acadêmicos interdisciplinares voltados à interculturalidade. “Outras áreas poderão ser contempladas mediante instrumentos específicos”, diz. Ainda, o protocolo prevê o desenvolvimento de projetos de pesquisa conjuntos; programas para estudos de pós-graduação e pesquisas; intercâmbio de professores, estudantes e técnicos; realização de cursos, seminários e simpósios; intercâmbio de material bibliográfico e publicações; e promoção de eventos acadêmicos e educacionais. “Por se tratar de um Protocolo de Intenções, ele não detalha modalidades específicas como dupla titulação. Essas ações poderão ser formalizadas posteriormente por meio de acordos ou planos de trabalho específicos”, completa Gustavo.
“O Protocolo não estabelece cláusulas específicas sobre transferência de tecnologia ou desenvolvimento de patentes. Entretanto, ele prevê a possibilidade de desenvolvimento de projetos conjuntos e cooperação técnico-científica, o que permite que, caso haja interesse das partes, instrumentos jurídicos específicos possam tratar de inovação, propriedade intelectual e desenvolvimento tecnológico”, esclarece o diretor da Aginter.
Para ele, em linhas gerais, o intercâmbio tem o potencial de proporcional uma vivência acadêmica em instituição de referência internacional, o contato com nova tradição linguística e cultural, o desenvolvimento de competências interculturais, a ampliação de redes acadêmicas e a possibilidade de inserção em projetos de pesquisa internacionais. “A cooperação permite a oferta de cursos, seminários e palestras presenciais ou híbridas, a participação em projetos conjuntos, o acesso a materiais didáticos e bibliográficos, a ampliação do ambiente multicultural no campus, todos aspectos que reforçam a chamada internacionalização “em casa”, beneficiando estudantes que não podem realizar a mobilidade presencial”, explica.
“A formalização do protocolo com uma instituição federal russa de prestígio amplia a visibilidade institucional da UFMS na Eurásia, fortalecendo sua presença em redes acadêmicas internacionais. Além disso, a realização de eventos, projetos conjuntos e intercâmbios acadêmicos contribui para consolidar a imagem da UFMS como universidade aberta à cooperação global, com atuação estratégica além do eixo tradicional América–Europa Ocidental”, finaliza.
Texto: Vanessa Amin
Fotos: Aginter/A.S.Pushkin
