Estudantes farão mobilidade acadêmica na Colômbia em 2026

Sete estudantes de pós-graduação da UFMS estarão na Colômbia em 2026 para mobilidade acadêmica. A realização será por meio do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Quatro deles foram selecionados para a Universidad Nacional de Colombia (Unal), por meio de um acordo recém-estabelecido. Os outros três foram selecionados para a Universidad de La Guajira, por meio de uma parceria já consolidada. 

Para o diretor da Agência de Internacionalização (Aginter), Gustavo Cancio, a entrada da Unal como nova instituição parceira destaca o avanço da política e do plano de internacionalização da Universidade e demonstra a capacidade da UFMS em estabelecer cooperações estratégicas que tragam impacto positivo. “Este resultado de sete estudantes selecionados reforça o compromisso da Universidade em ampliar oportunidades de formação internacional para nossos estudantes, especialmente em iniciativas que valorizam a inclusão, a diversidade e a excelência acadêmica, princípios centrais do Programa Abdias Nascimento”, aponta. 

A professora da Faculdade de Educação (Faed) e coordenadora do programa na UFMS, Eugenia Portela, explica que o projeto leva o nome Abdias Nascimento por sua importância na história da luta por políticas de promoção da igualdade racial. “Embora pouco visibilizado, ele tem uma importância imensurável. Ele foi senador da República, liderança do movimento negro no Brasil, com inserção em cultura também muito forte fora do país. Antes mesmo da efetivação das políticas públicas como legislação, ele já atuava neste contexto de solicitar direitos”, destaca.

Atualmente, dois estudantes da UFMS já realizam intercâmbio na Colômbia. “São ganhos que, sem dúvida, irão marcar suas vidas. Os estudantes que já estão em Riohacha, na Universidad de La Guajira, estão tendo aulas em diversos cursos, participando de seminários internacionais sobre direitos humanos e direitos dos povos indígenas, pois lá existe uma população majoritariamente indígena da etnia Wayúu. Muitos foram com conhecimento básico na língua estrangeira e já desenvolveram bastante, fizeram também uma oficina de língua portuguesa e teve bastante adesão dos estudantes da universidade, então são trocas de experiências. A Colômbia tem aspectos culturais que são semelhantes ao Brasil, bem como outros aspectos diferentes, é uma ação muito enriquecedora”, comenta a professora.

Intercâmbio

O estudante do Mestrado em Estudos Culturais da UFMS de Aquidauana Hudson Bruno Ribeiro Pereira irá para a Universidad de Colombia. Ele conta que é bisneto de uma indígena e filha de ex-escravizados e conta que cresceu ouvindo suas histórias. Em sua família, não teve referenciais de pessoas que alcançaram nem mesmo a graduação, o que vê como o reflexo da colonialidade do saber, algo que o projeto Abdias do Nascimento investiga. 

“Serei o primeiro da minha família a realizar um mestrado sanduíche internacional. Isso é a verdadeira decolonialidade acontecendo. Quando olho minha trajetória, jamais imaginaria que um dia conseguiria algo assim, porque para nós pessoas pretas os atravessamentos do marcador de raça é impossível não ser notado, e essa diferença faz diferença, como disse Avtar Brah”, comenta.

Para o estudante, que ingressou na graduação em Ciências Biológicas na Universidade Estadual de MS e no mestrado na UFMS por meio das ações afirmativas, a oportunidade de realizar pesquisas na Colômbia só é possível graças aos antepassados que se perpetuam nele. “O maior sentimento que tenho é de esperança, porque sei que através da própria pesquisa das Ações Afirmativas na Pós Graduação na região Centro Oeste a mobilidade internacional será fomentada, e assim veremos um número cada vez mais expressivo de pessoas pretas e indígenas descolonizando o poder e o saber, e fazer parte disso é incrível”, finaliza.

Outras oportunidades

A professora Eugenia Portela aponta que o projeto segue até 2027, com a oferta de sete bolsas anuais de mestrado e sete de doutorado. “Para o próximo ano, ainda temos duas de mestrado e cinco de doutorado. Para os interessados, o edital é realizado em fluxo contínuo”, alerta. Mais informações podem ser obtidas aqui

Texto: Ariane Comineti