A troca de cartões-postais entre estudantes da educação básica e delegados de 130 países é uma das iniciativas da UFMS na COP15 – 15ª Conferência das Partes sobre Espécies Migratórias. A ação une comunicação, afeto e conscientização ambiental ao propor uma conexão direta entre crianças, jovens e participantes da conferência, por meio de mensagens escritas à mão que atravessam gerações e culturas.
Coordenada pelo professor Ivo Leite, com estudantes dos grupo PET Química e Arandú de Tecnologia e Ensino de Ciência/UFMS, a atividade envolve estudantes cerca de 1500 alunos do 4ª e 5º anos do ensino fundamental, além de alunos do 9º ano, que escreveram mensagens nos cartões destinadas aos participantes da conferência. Os materiais foram elaborados em parceria com escolas municipais de Campo Grande, entre elas as escolas municipais João Evangelista Vieira de Almeida, Licurgo de Oliveira, Padre Tomaz Ghirardelli e Arlene Marques de Almeida, além de escolas dos municípios de Jaraguari e Terenos e a comunidade quilombola Furnas do Dionísio.
Durante a semana, os delegados que estarão na COP15 terão poderão escrever suas mensagens nos cartões que serão enviados às escolas participantes. Segundo o professor, a proposta transforma um gesto simples em uma experiência significativa de troca e escuta entre diferentes realidades. “Quando eu tinha cerca de dez anos, meu pai me mostrou vários cartões-postais. Aquilo me encantou, porque eram uma forma importante de divulgar cidades e histórias”, relembra. Ivo conta que a intenção é resgatar formas de comunicação que vão além do ambiente digital. “A ideia é criar uma ponte entre esses estudantes e os delegados. Em um mundo tão conectado por telas, escrever e receber um cartão tem um valor diferente, mais próximo e humano”, afirma.
Os cartões foram produzidos com imagens relacionadas a espécies migratórias. Ao todo, 32 estudantes da UFMS participam da ação, auxiliando na organização, orientação e acompanhamento das atividades nas escolas. As imagens nos postais foram criadas pela estudante de graduação do curso de Artes visuais Julianne Borges Silva e Souza, que também participa do Grupo Arandú.

Segundo o professor, o envolvimento dos estudantes tem sido marcado pelo entusiasmo e pela curiosidade. “É muito interessante ver como eles se dedicam. Alguns escreveram em inglês e até em outros idiomas. Existe um cuidado, um capricho, que mostra o quanto essa experiência é especial para eles”, ressalta.
Ele também ressalta o impacto da atividade entre os estudantes universitários que participam da ação. “Eu acompanhei o treinamento da equipe que foi às escolas e vi neles a mesma surpresa que eu tive quando criança. São jovens de 19 e 20 anos redescobrindo que ainda existe comunicação no papel, percebendo o simples poder de uma mensagem escrita em um pedaço de papel”.
Além de estimular a criatividade e a expressão, a troca de cartões também amplia o entendimento sobre temas ambientais de forma acessível. Ao escrever para alguém que participa diretamente das discussões da conferência, os estudantes se percebem como parte desse cenário global. “Estamos vivendo um momento importante, e envolver os estudantes dessa forma é uma maneira de mostrar que eles também fazem parte dessa construção”, destaca.
Texto: Karolyne Peralta
Fotos: Grupos PET Química e Arandú
















