A Universidade Federal de Mato Grosso do Sul se juntou a outras 69 instituições vinculadas à Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e instalou o Banco Vermelho. A iniciativa integra uma mobilização nacional voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
Na UFMS, o Banco Vermelho foi instalado na Pró-Reitoria de Cidadania e Sustentabilidade da UFMS (Procids), em memória da jornalista Vanessa Ricarte, egressa do curso de Jornalismo da Universidade, formada em 2005 e assassinada pelo ex-noivo em fevereiro de 2025. A cerimônia foi realizada nesta segunda-feira, dia 9, e reuniu gestores da Universidade e representantes das pró-reitorias.
Mesmo em viagem internacional, a reitora Camila Ítavo enviou uma mensagem em vídeo destacando a importância da mobilização nacional e da homenagem à egressa. Segundo ela, a instalação do banco simboliza a memória de mulheres vítimas de feminicídio e reforça a necessidade de vigilância permanente da sociedade. “O Banco Vermelho não é simplesmente um banco. Ele representa a memória de tantas mulheres vítimas de feminicídio em nosso país e o compromisso de atuarmos diariamente para erradicar essa violência nas famílias e em nossos territórios”, afirmou.
A reitora também destacou a homenagem à jornalista formada pela Universidade. “Hoje prestamos uma homenagem muito especial à nossa egressa do curso de Jornalismo, Vanessa Ricarte. Que a sua partida não tenha sido em vão e que este espaço nos lembre todos os dias da importância de sermos guardiões e guardiãs de um mundo livre do feminicídio”, disse.
Representando a reitora durante a cerimônia, o vice-reitor Albert Schiaveto ressaltou a importância do envolvimento de toda a sociedade no enfrentamento da violência de gênero, especialmente da participação masculina nesse processo. Para ele, a transformação depende de mudanças culturais profundas.
Segundo o vice-reitor, os homens também precisam assumir responsabilidade na construção de uma sociedade mais justa. “Qualquer tipo de violência, discriminação ou assédio contra as mulheres exige participação ativa dos homens. Essa é uma responsabilidade de todos, mas também uma responsabilidade que precisa ser assumida por nós”, afirmou. Ele também lembrou a mensagem gravada no banco instalado na Universidade. “Sentar e refletir. Levantar e agir. Precisamos agir e lutar para que essa realidade seja transformada”.
Durante a cerimônia, a pró-reitora de Cidadania e Sustentabilidade, Vivina Dias Sol, apresentou ações institucionais voltadas à promoção da equidade e à proteção das mulheres na Universidade. Entre as iniciativas está o programa Sou Mulher UFMS, integrado à ação institucional Se Cuide, Te Amo, que reúne políticas e práticas direcionadas às estudantes, servidoras e colaboradoras terceirizadas.
Dados apresentados pelo programa indicam avanços na participação feminina na instituição. Em 2024, 52,4% dos projetos de ensino, pesquisa e extensão da UFMS foram coordenados por mulheres e 44,6% dos cargos de direção são ocupados por elas.
A pró-reitora também explicou que a Universidade desenvolve campanhas educativas, rodas de conversa e atividades formativas que estimulam o debate sobre cidadania e violência de gênero na formação acadêmica. “Também disponibilizamos canais institucionais de escuta e encaminhamento para garantir acolhimento e proteção às mulheres que precisam denunciar situações de violência”, destacou.
A jornalista Nayara Xavier, formada em 2003 e colega de trabalho de Vanessa, relembrou a trajetória da profissional e destacou o significado da homenagem. Para ela, a memória da jornalista precisa ser preservada além da violência que interrompeu sua vida. “Vanessa era inteligente, sensível e muito dedicada ao que fazia. A vida dela não pode ser reduzida à violência que a interrompeu. Ela permanece na memória como alguém que inspirava pelo exemplo”, afirmou.
Durante a cerimônia, Nayara também leu uma carta enviada pelos pais e pelo irmão da jornalista, que agradeceram a homenagem prestada pela Universidade. Na mensagem, a família destacou o orgulho que Vanessa sempre teve de sua formação na UFMS e afirmou que o reconhecimento representa um gesto de acolhimento e respeito à memória da filha.
A coordenadora do curso de Jornalismo da UFMS, professora Katarini Giroldo Miguel, ressaltou que iniciativas de conscientização são necessárias diante da persistência da violência contra mulheres. “Esses esforços institucionais são importantes, mas precisam estar acompanhados de uma transformação cultural. A violência contra mulheres continua sendo uma realidade grave e muitas vezes ocorre dentro das próprias relações de confiança”, alertou.
Na UFMS, as ações de conscientização também integram a campanha institucional Eu Respeito, que em março tem como tema Renovação. Durante o mês, o Monumento Símbolo da Universidade é iluminado de vermelho em referência ao Dia Internacional da Mulher e às ações de enfrentamento à violência de gênero.
Instituto Banco Vermelho
A campanha Banco Vermelho foi reconhecida como política pública por meio da Lei nº 14.942, de 31 de julho de 2024, e tem como objetivo ampliar o debate sobre violência de gênero e divulgar canais de denúncia e apoio às vítimas. De acordo com o Instituto Banco Vermelho, o Brasil ocupa a quinta posição entre 196 países com maiores índices de assassinatos de mulheres e uma mulher é vítima de feminicídio a cada seis horas.
Texto e fotos: Karolyne Peralta



















