Em 2025, o Conselho Universitário (Coun) aprovou a criação de 13 novos cursos de graduação em todas as regiões do Estado. Entre eles estão: Educação Física, da UFMS do Pantanal (CPan); Medicina, da UFMS de Coxim (CPCX); Direito, na UFMS de Chapadão do Sul (CPCS) e de Ponta Porã (CPPP); Enfermagem, na UFMS de Aquidauana (CPaq); Ciências Sociais, na Faculdade de Ciências Humanas (Fach), Inteligência Artificial, na Faculdade de Computação (Facom), Relações Internacionais, na Escola de Administração e Negócios (Esan), Engenharia Agronômica, na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (Famez), e Engenharia Geológica, na Faculdade de Engenharias, Arquitetura e Urbanismo e Geografia, da UFMS de Campo Grande; e Computação, Tecnologia em Educação Social e Tecnologia em Inteligência Artificial, da Agência de Educação Digital e a Distância.
A reitora Camila Ítavo destacou que a expansão será realizada com responsabilidade e condições adequadas. “Quero registrar o compromisso desta gestão. Nós não iniciaremos nenhum curso se não tiver condições reais e efetivas de compromisso com a qualidade. A gente não vai começar se não tiver condições e a gente ver a possibilidade. Estamos trabalhando na liberação de vagas de docentes da Universidade, para que a gente possa crescer em qualidade e um bom ambiente de trabalho para todos nós. Ninguém vai começar nada, pelo menos enquanto tiver a Camila e Albert, sem ter condições de qualidade e de ambiente de trabalho”, pontuou.
164ª Reunião Ordinária
No dia 1º julho, foi aprovada a criação dos cursos de Relações Internacionais, Direito, Enfermagem e Tecnologia em Educação Social. “O curso de Direito é uma demanda antiga do município. Não por acaso temos muito apoio da região, é uma demanda que atende uma necessidade específica aqui do norte do Estado. […] A nossa necessidade nesse momento é de abertura deste curso, isso foi expresso no nosso Plano de Desenvolvimento da Unidade, está expresso no PDI da Universidade há muitos anos e, nesse momento, conseguimos arregimentar todos os apoios necessários para dar o suporte a criação do curso”, comentou o diretor do CPCS, Wallace da Silva.
“Esse curso atende uma demanda da cidade, mas particularmente de uma população, que é a nossa população indígena. […] O pedido desse curso de Enfermagem é um pedido para atender uma demanda da cidade, mas sobretudo atender uma demanda dessa população”, reforçou a diretora do CPaq, Ana Graziele Toledo.
Já o curso de Relações Internacionais, com duração de 3 anos e meio, terá ênfase nas relações econômicas internacionais, em especial a ampliação do comércio exterior a partir da Rota Bioceânica. “Foi uma confluência de pessoas que querem mudanças, que querem novidades, atender o que nossos jovens querem estudar. Apoiei integralmente a ideia e fomos estudando, vendo as dificuldades e angariando apoios, ficamos muito felizes de estar criando este curso hoje”, enfatizou o diretor da Esan, Cláudio Silva.
165ª Reunião Ordinária
Em agosto, foi a vez da aprovação dos cursos de Ciências Sociais, Inteligência Artificial e Computação.
A diretora da Agead, Daiani Riedner, destacou que Licenciatura em Computação tem um propósito muito importante no atendimento à Política Nacional de Educação Digital e está condicionada a aprovação da proposta da UFMS no edital de fomento da Secretaria de Educação Básica do MEC. “A UFMS está na liderança nacional de apoio às redes estaduais e municipais de educação na implementação da educação digital na Educação Básica, é um grande movimento nacional de apoio à reestruturação dos currículos e esse curso é estratégico para levar para a Educação Básica, formar profissionais capacitados para atender a implementação da educação digital na Educação Básica”, explicou. O curso terá o apoio das secretarias municipais de educação dos municípios de Coxim, Corumbá, Ponta Porã e Campo Grande, bem como a Secretaria de Educação de Mato Grosso do Sul para a realização de estágios, projetos de extensão, ações formativas e implementação de práticas pedagógicas inovadoras.
Para a diretora da Facom, Liana Duenha, a criação do Bacharelado em Inteligência Artificial é inovadora e pioneira em Mato Grosso do Sul. “Nós temos recebido projetos aqui na Facom de todas as áreas e a demanda é real por especialistas na área de IA. Hoje os nossos cursos formam muito bem, […] mas todos esses cursos têm a área de IA como disciplina e os alunos têm que aprender muito de IA por conta própria durante o processo da vida profissional deles ou em projetos que eles realizam aqui dentro da Universidade, mas fora da área do ensino. Os profissionais estão sendo demandados com essas novas tecnologias, a computação anda muito rápido. Por isso, estudamos com um grupo de professores de IA a viabilidade do curso e ficamos realmente assombrados com o sucesso, acho que são quatro cursos no Brasil apenas e eles estão tendo muito sucesso. […] Acredito que a gente vai formar profissionais muito capacitados para um mercado que não é só nacional, é um mercado internacional”, enfatizou.
Já a Licenciatura em Ciências Sociais irá complementar a formação ofertada pela UFMS, visto que o bacharelado na área tem crescido e se consolidado nas últimas três décadas. “À noite, vamos atender um outro público, faz parte da política da nossa gestão superior, de atender o público que trabalha. Acho que vai ser muito importante esse curso funcionando a noite. Tenho a certeza de que vai abrir uma série de oportunidades para mais alunos que queiram vir para a UFMS, que queiram cursar uma licenciatura e que queiram cursar Ciências Sociais aqui na nossa Faculdade. Há uma demanda de mercado pela licenciatura e acho que temos a oportunidade de sermos protagonistas nessa área”, acrescentou o diretor da Fach, Cleverson Rodrigues.
166ª Reunião Ordinária
Ontem, 1º, o pró-reitor de Graduação, Cristiano Vieira, apresentou a proposta de criação dos demais cursos, aprovados com unanimidade pelo Coun.
“[O Bacharelado em Educação Física visa] formar bacharéis em Educação Física capazes de atuar com conhecimento técnico, científico e ético-humanístico para atuar de forma competente e responsável pelos conflitos profissionais, contribuindo para a promoção da saúde do bem-estar e da qualidade de vida da população”, pontuou. “A iniciativa atende às demandas regionais profissionais qualificados para atuar na áreas de atividades físicas, esporte, lazer e atenção primária à saúde, especialmente no município de Corumbá e de Ladário. [A região] possui características socioeconômicas culturais singulares marcadas pela forte presença de práticas corporais, esportivas e turísticas associadas ao bioma do Pantanal”, complementou.
A diretora do CPan, Andreliza Souza, reforçou que o curso atende a uma demanda histórica. “O projeto do curso de Bacharelado em Educação Física já faz parte do Plano de Desenvolvimento das Unidades (PDU) daqui do câmpus desde 2016. Os estudantes ficaram muito contentes e nós estamos muito confiantes, porque é o sonho antigo do nosso câmpus e agora também vai poder ser realizado”, celebrou.
A comunidade estudantil celebrou o avanço. “Como é Corumbá e eu sou corumbaense, só queria agradecer em nome dos estudantes e em nome da comunidade corumbaense e ladarense. O corumbaense gosta muito de esporte, muito mesmo”, afirmou o representante do Diretório Central Estudantil, Jacob Dolabani de Castro.
“[A proposta de criação do curso de Engenharia Agronômica tem] o objetivo de atender as demandas crescentes por formação superior pública e de qualidade na área das Ciências Agrárias, estabelecendo-se como um único curso de Engenharia Agronômica público da capital do nosso Estado”, justificou o pró-reitor. Ele explicou que o curso formará profissionais generalistas com formação científica, técnica e ética, alinhados à sustentabilidade, segurança alimentar e desenvolvimento regional.
O diretor da Famez, Carlos Ramos, completou destacando o potencial de práticas acadêmicas e laboratoriais. “Esse curso deverá contribuir para o crescimento da Famez e da UFMS. […] A estrutura básica já existe, uma vez que a Famez conta com uma área de mais de 17 hectares aqui em Campo Grande, além de também a UFMS contar com a Fazenda Escola, no município de Terenos, que pode se beneficiar muito do consórcio entre os cursos de Zootecnia, Medicina Veterinária e Agronomia”, pontuou. “Esse curso seria o primeiro curso, o único curso de Agronomia público na região central do estado de Mato Grosso do Sul, que atualmente não possui nenhum curso de Agronomia público, somente o privado, e cursos EaD”, acrescentou.
A criação do curso de Medicina na UFMS de Coxim também foi detalhada. “[O curso está alinhado ao] compromisso institucional da UFMS de promover a interação do ensino superior público gratuito de qualidade em áreas estratégicas para o desenvolvimento regional”, reforçou Vieira. A iniciativa pretende formar médicos com base técnica, científica, ética e humanística, com especial atenção à atuação no Sistema Único de Saúde e à fixação de profissionais na região norte. “Coxim exerce papel de polo regional e que a rede de saúde local apresenta condições ideais para os estados básicos profissionais, incluindo o Hospital Regional Dr. Álvaro Fontoura Silva, a Clínica Escola da UFMS, unidades de saúde, Centros de Atenção Psicossocial e Hospital da Cassems”.
A diretora do CPCX, Silvana Zanchett, celebrou a proposta. “Agradeço a oportunidade de representar a UFMS aqui na região Norte. Destaco que a criação do curso de Medicina aqui no câmpus é um sonho antigo de toda a comunidade e foi ampliado com a implantação do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento da Bacia do Pantanal”, completa. “Para isso, deverá também ter aprovação, como disse a professora Camila, a nossa reitora, a responsabilidade e compromisso da UFMS de abrir um curso desde que haja orçamento e servidores. Nós precisaremos de pelo menos 64 docentes e 26 técnicos, com muito comprometimento, com compromisso com a educação de qualidade a nível UFMS”, enfatizou.
Já em relação a proposta de criação do curso de Engenharia Geológica, vinculado à Faeng, o pró-reitor ressaltou a necessidade crescente de profissionais na área, especialmente diante do potencial geológico e mineral do estado e da implantação da Rota Bioceânica. “O Estado de MS apresenta vasto potencial geológico e mineral, com reservas de minérios metálicos e não-metálicos e recursos hídricos e áreas de alta relevância ambiental e geoturística. Esse contexto, aliado à expansão da agropecuária e da indústria, evidencia a importância de estudos geológicos aplicados para subsidiar o desenvolvimento o mapa sistêmico”, avalia.
O diretor da Faeng, Fábio Veríssimo, reforçou esse cenário. “A gente tem o destaque que foi o projeto de lei da Política Nacional de Minerais Críticos Estratégicos, que vem aí com uma grande força, na previsão de incentivos fiscais, fundo garantidor de estímulo à pesquisa, exploração e agregação de valores minerais essenciais, principalmente quando a gente fala de lítio, terras raras, grafite, níquel, entre outros”, lembra.
Além disso, a criação do curso é considerada estratégica em muitas frentes. “A Rota Bioceânica vai precisar muito do engenheiro geológico, não só na sua criação, mas na prospecção dos minerais aqui no Estado. Então, vejo isso como uma grande importância, um grande marco. E também vejo dentro do curso, dentro dos setores que são beneficiados, a prevenção de desastres”.
A proposta foi elogiada pelo estudante Miguel Fernandes Roveri, representante do DCE, destacando o potencial do curso se tornar referência em todo o país. “Eu fico muito feliz com a proposta da criação de Engenharia Geológica. […] Recentemente, eu estava vendo que há poucos estudos sobre a parte geotecnológica e geológica do nosso Pantanal”, relembrou.
A proposta de criação do curso de Tecnologia em Inteligência Artificial posiciona a UFMS como referência pública na área e atende demandas regionais da bioeconomia, do agronegócio e da logística. “[O curso tem o objetivo de] formar tecnólogos em inteligência artificial, capacitando-os para projetar, desenvolver, implementar e gerenciar soluções de ar, de ponta a ponta, com sólida base teórica e prática”, explica o pró-reitor de Graduação. A justificativa reforça que a IA e o machine learning transformam todos os setores produtivos, criando novas demandas de trabalho e exigindo profissionais capazes de unir tecnologia, dados e responsabilidade social.
A diretora da Agead, Daiani Riedner, destacou a relevância da formação. “O curso superior de Tecnologia em Inteligência Artificial nasce exatamente das necessidades que temos observado no nosso Estado e nos setores que movimentam a economia aqui em Mato Grosso do Sul”, concluiu.
Texto: Heloísa Garcia
