Mulheres na ciência é tema de palestra com auditório lotado

A mesa-redonda “Mulheres na Ciência: Desafios e Perspectivas” ocorreu na tarde desta terça-feira (23), com a participação das professoras Letícia de Oliveira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), Eliade Ferreira Lima, da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) e Roseli de Deus Lopes, da Universidade de São Paulo (USP).

A neurocientista Letícia de Oliveira chamou atenção sobre os direitos das mulheres, que, apesar de conquistados, ainda não estão consolidados. Logo em seguida fez uma dinâmica explicando, a partir da neurociência, como a percepção humana influencia o comportamento individual e como a comunidade influencia no comportamento social. Demonstrou, a partir de dados, como a falta de representatividade e desigualdade afeta o engajamento das mulheres com a ciência e tecnologia. Então, partiu para a parte técnica, explicando como o viés implícito e os estereótipos de gênero impactam negativamente na carreira científica das mulheres, desde a infância, passando pelo vestibular, até o mestrado, doutorado e especializações.

A segunda palestrante, Eliade Ferreira de Lima, é astrofísica, porém sua fala foi voltada para o problema do assédio velado e como ele acontece na área acadêmica. Apresentou dados sobre o assédio entre cientistas, desde os de alto escalão até os que ocorrem dentro da comunidade acadêmica nas universidades e exemplificou, através de notícias jornalísticas, como o fato do meio científico ser majoritariamente masculino impacta na carreira e na vida pessoal da mulher cientista, desde a escolha da maternidade até a questão de as mulheres precisarem escrever três vezes mais artigos que os homens para obter o mesmo reconhecimento. Levantou, também, a bandeira de que é preciso ajudar a diminuir a evasão feminina no meio acadêmico com a mesma força com que se incentiva a entrada dessas meninas nas ciências exatas.

Eliade atacou as perspectivas da mulher após um assédio, mostrando denúncias reais com nomes alterados para, por fim, revelar que uma dessas exposições era um relato pessoal, descrevendo o impacto que um assédio, principalmente os ignorados pelas instituições, tem na vida de uma mulher. Ela contou sua história, dizendo que, apesar das grandes dificuldades e da desistência de seu mestrado, começou outro do zero e atingiu seus objetivos.

As falas foram muito bem recebidas pelos participantes que lotaram o auditório do começo ao fim. O engajamento do público, em maioria feminino, se deu mais para apoios e relatos do que para questionamentos, mostrando que o tema possui extrema relevância para a sociedade e necessita ser discutido no meio acadêmico.

Texto: Amanda Marques e Isabella Barretto (Monitores SBPC)