Ética e implicações sociais das novas tecnologias genéticas são temas de conferência na 71ª SBPC

A conferência “Impactos Éticos e Sociais das Novas Tecnologias Genéticas“, ministrada pela professora Ursula da Silveira Matte, do Departamento de Genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), nesta quinta-feira (25), levantou questionamentos sobre os aspectos éticos e implicações sociais do uso de testes genéticos. A conferencista destacou que 26 bilhões de pessoas no mundo já utilizaram testes genéticos. Isso leva à crescente preocupação sobre a destinação desses dados e a responsabilização pelos testes.

Dentre os testes comercializados estão os de ancestralidade, compatibilidade afetiva, talentos inatos e programas de treinamento. Há questionamentos sobre a acuracidade clínica dos resultados, por se tratar, segundo os críticos, de uma “ciência frágil” que os caracteriza como genética recreativa.

A pesquisadora destacou que há ainda um novo mercado: empresas que contratam ou compram aplicativos para aplicação dos testes. Essas empresas obtêm informações genéticas para seu banco de dados. A população que tem acesso aos testes nem sempre tem total consciência do destino e uso dos dados coletados. Segundo Ursula, para as empresas, a informação é mais importante do que os resultados.

Por outro lado, os dados obtidos podem ter impacto positivo nos usuários, possibilitando uma mudança de conduta para uma vida mais saudável e gerando maior interesse pela genética. Esse fator pode significar uma aproximação entre ciência e sociedade, mesmo com interesses econômicos envolvidos. Outros aspectos positivos são as aplicações em estudos de genética colaborativa, onde pessoas depositam voluntariamente seu genoma para estudos da universidade.  No campo forense, possuir essa base de dados genéticos permite a identificação e até a reconstituição do rosto de um indivíduo a partir de uma amostra contendo DNA.

“Talvez o que a gente esteja perdendo é a capacidade de ajudar as pessoas a entenderem melhor sobre genética”, afirma Ursula. A discussão dividiu os ouvintes por se tratar de uma controvérsia, com pontos a favor e contra o uso dos dados genéticos coletados.

Texto: Gabriele Cardoso e Raquel Eschiletti (Monitoras SBPC)