1. Ao receber uma reclamação, evitar conclusões
intuitivas e precipitadas. Conscientizar-se de que a prudência é
tão necessária quanto a produção da melhor
e mais inspiradora decisão. Jamais se firmar no subjetivismo e
na precipitada presunção para concluir sobre fatos que são
decisivos para os interesses dos indivíduos e da sociedade. Concluir
pelo que é racional e consensual na prática convencional
das ações de um Ouvidor.
2. Agir com modéstia e sem vaidade. Aprender a ser humilde. Controlar
o afã ao vedetismo. O sucesso e a fama devem ser um processo lento
e elaborado na convicção do aprimoramento e da boa conduta
ética e nunca pela presença ostensiva do nome ou do retrato
nas colunas dos jornais e nos vídeos das tevês. Não
há nenhum demérito no fato de as atividades do Ouvidor correrem
no anonimato, delas tendo conhecimento apenas a administração
e as partes interessadas.
3. Manter o sigilo exigido. 0 segredo deve ser mantido na sua relativa
necessidade e na sua compulsória solenidade, não obstante
os fatos que demandem investigações terem vez ou outra suas
repercussões sensacionalistas e dramáticas, quase ao sabor
do conhecimento de todos. Nos seus transes mais graves, deve o Ouvidor
manter sua discrição, sua sobriedade, evitando que suas
declarações sejam transformadas em ruidosos pronunciamentos
e nocivas repercussões.
4. Ter autoridade para ser acreditado. Exige-se também uma autoridade
capaz de se impor ao que se afirma e conclui, fazendo calar com sua palavra
as insinuações oportunistas. Tudo fazer para que seu trabalho
seja respeitado pelo timbre da fidelidade a sua arte, a sua ciência
e à tradição. Decidir com firmeza. A titubeação
é sinal de insegurança e afasta a confiança que se
deve impor em momentos tão delicados. Se uma decisão é
vacilante, a arte e a ciência tornam-se fracas, temerárias
e duvidosas.
5. Ser livre para agir com isenção. Concluir com acerto
através da convicção, comparando os fatos entre si,
relacionando-os e chegando às conclusões sempre claras e
objetivas. Não permitir de forma alguma que suas crenças,
ideologias e paixões venham influenciar um resultado para o qual
se exige absoluta imparcialidade e isenção.
6. Não aceitar a intromissão de ninguém. Não
permitir a intromissão ou a insinuação de ninguém,
seja autoridade ou não, na tentativa de deformar sua conduta ou
dirigir o resultado para um caminho diverso das suas legítimas
e reais conclusões, para não trair o interesse da sociedade
e os objetivos da justiça.
7. Ser honesto e ter vida pessoal correta. É preciso ser honesto
para ser justo. Ser honesto para ser imparcial. Só a honestidade
confere um cunho de respeitabilidade e confiança. Ser íntegro,
probo e sensato. Ser simples e usar sempre o bom senso. A pureza da arte
é como a verdade: tem horror ao artifício. Convém
evitar certos hábitos, mesmo da vida íntima, pois eles podem
macular a confiança de uma atividade em favor de quem irremediavelmente
acredita nela.
8. Ter coragem para decidir. Coragem para afirmar. Coragem para dizer
não. Coragem para concluir. Ter coragem para confessar que não
sabe. Coragem para pedir orientação de alguém mais
experiente. Ter a altivez de assumir a dimensão da responsabilidade
dos seus atos e não deixar nunca que suas decisões tenham
seu rumo torcido por interesses inconfessáveis.
9. Ser competente para ser respeitado. Manter-se permanentemente atualizado,
aumentando cada dia o saber. Para isso, é preciso obstinação,
devoção ao estudo continuado e dedicação apaixonada
ao seu mister, pois só assim suas decisões terão
a elevada consideração pelo rigor que elas são elaborados
e pela verdade que elas encerram.
10. Acreditar piamente que o seu papel de representante do cidadão
comum, mais do que uma procuração de fato, é um sério
compromisso em busca da satisfação do reclamante, do aperfeiçoamento
do fato reclamado e da otimização da qualidade da instituição
em que orgulhosamente é o seu Ouvidor.